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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Minha história e a Arte

Lembro bem do nome dele

Aliás, seu segundo nome

Martins: meu professor de história

Talvez, ele tenha notado

a transfiguração em meus olhos

com as histórias da idade média

Transportava-me


ao longe da sala de aula

Um dia, disse:

"Se queres a história da humanidade..."

Até aquele momento o que ensinava 

era a história dos poderes

"Se dedique à história da arte"

A frase se tornou um mantra


voltando à mente

sempre que a história das revoluções

deixava-me sem esperanças

Me distânciei da arte

Seus subjetivismos

Sua falta de compromisso

com a verdade dos fatos


Fazia poesia escondido

Ia a museus sozinho

Interpretar uma obra de arte

era algo secreto:

Um jogo pessoal

como brincar de palavras cruzadas

Mas se o mundo concreto


pode ser percebido diferentemente

por meios os mais diversos 

no rastro de revelados interesses

como na arte

tanto quanto no poder

É mister entender

quem percebe e como


Depois de fazer as pazes

com o o amor e o sentido da vida

Minha primeira crise existência

Me declarei poeta 

para entender aonde a arte

encontra o amor 

e a essência da percepção


Veio-me a segunda crise existêncial

Se o sentido da vida é o amor

como compartilhar o mundo

se o vemos de diferentes modos?

Enquando os poderes nos interpretam

Entregam soluções a la carte

que nos aprisionam


Que contextos são estes

que nos acorrentam

Nos colocam entre a satisfação

e o enfado? 

Que carceres são esses

que apesar de termos as chaves

permanecemos sequestrados


Escondidos os segredos

nos tons e sobre tons

cores complementares escondidas

para iluminar um caminho

sutil para a liberdade

Assim como Caravaggio mostrou 

uma saída para o que era medieval


Minha história e a Arte

Lembro bem do nome dele Aliás, seu segundo nome Martins: meu professor de história Talvez, ele tenha notado a transfiguração em meus olhos c...