Lembro bem do nome dele
Aliás, seu segundo nome
Martins: meu professor de história
Talvez, ele tenha notado
a transfiguração em meus olhos
com as histórias da idade média
Transportava-me
ao longe da sala de aula
Um dia, disse:
"Se queres a história da humanidade..."
Até aquele momento o que ensinava
era a história dos poderes
"Se dedique à história da arte"
A frase se tornou um mantra
voltando à mente
sempre que a história das revoluções
deixava-me sem esperanças
Me distânciei da arte
Seus subjetivismos
Sua falta de compromisso
com a verdade dos fatos
Fazia poesia escondido
Ia a museus sozinho
Interpretar uma obra de arte
era algo secreto:
Um jogo pessoal
como brincar de palavras cruzadas
Mas se o mundo concreto
pode ser percebido diferentemente
por meios os mais diversos
no rastro de revelados interesses
como na arte
tanto quanto no poder
É mister entender
quem percebe e como
Depois de fazer as pazes
com o o amor e o sentido da vida
Minha primeira crise existência
Me declarei poeta
para entender aonde a arte
encontra o amor
e a essência da percepção
Veio-me a segunda crise existêncial
Se o sentido da vida é o amor
como compartilhar o mundo
se o vemos de diferentes modos?
Enquando os poderes nos interpretam
Entregam soluções a la carte
que nos aprisionam
Que contextos são estes
que nos acorrentam
Nos colocam entre a satisfação
e o enfado?
Que carceres são esses
que apesar de termos as chaves
permanecemos sequestrados
Escondidos os segredos
nos tons e sobre tons
cores complementares escondidas
para iluminar um caminho
sutil para a liberdade
Assim como Caravaggio mostrou
uma saída para o que era medieval