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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Corpo 2015

corpo-coisa
data de validade?
corpo-ópera
concertos e desconcertos
rasga a imagem fica a alma
rasga o corpo fica a memória
teu corpo é meu
meu corpo é teu
meu corpo esse desconhecido
massa de manobra
pão que o vinho umideceu
multidão, revolução
data de validade...
corre corpo atrás do desejo
corre atrás do relógio
rasga o véu da pele
desfaz-se o mistério em pó
corpo-bomba
corpo-sinagoga
corpo-mesquita
enxame de corpos passando...
...eles passarão, eu...
(zumbis holográficos?
corpo é sonho sólido?)
tudo que é solido desmancha no celular
corpo-serpente navega registros
mil rotas e buscas de especiarias
para temperar 2015

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

não sabe por que chora

olhei  a nuvem
suas reentrâncias cinzentas
os carinhos do sol nas costas
das brancas ondas 
casta como uma freira
ela me olha de gente
eu de nuvem
ela não sabe por que chove
de repente escurece
de repente ilumina
insustentável leveza
emoção desmedida
que do alto desaba


domingo, 28 de dezembro de 2014

A noite que dormi com Leon Trotsky

Eu havia buscado aquela rara edição do poeta Paulo Leminski em todas as livrarias e sebos, de todas as cidades por onde havia passado. Eu precisava fechar o ciclo das biografias escritas por ele, que se inicia com o poeta-samurai japonês Matsuo Basho. Faltava apenas aquela do Leon Trotsky.  Enganam-se aqueles que acham que eu seja trotskista ou comunista. Tive alguns colegas de faculdade que eram, e ouvia deles as histórias dos grupos de resistência à ditadura. De outros colegas ouvia que os trotkistas estão sempre se dividindo até a unidade.

Meu interesse era meramente literário e menos até: era o interesse por um jeito de escrever específico de um poeta curitibano de origem polonesa. Por anos, a busca foi em vão. Desisti? Ao contrário, isso aguçava ainda mais o mistério, não pela figura histórica de Leon cujo os contornos básicos eu sabia de ouvido, ou seja, o mínimo para ter cultura geral do que foi a revolução comunista na Rússia. Após ler o biografia sobre Jesus Cristo meu interesse por esta escrita aumentou. O poliglota brazuca-polaco havia aprendido sânscrito para ler no original os evangelhos apócrifos. Leminsky sabia criar inusitadas pontes de reflexão entre diferentes conhecimentos e fontes bibliográficas, de modo tal, que seriam levianas se fossem feitas por outro, mas com ele e através dele a prosa ganhava tons febris e cortantes sem perder o vigor do contar uma boa história. Nada me impediria de chegar até o livrinho sobre o líder revolucionário russo do levante bolchevique de fevereiro de 1917. 

Não lembro o dia, mas este dia, e para ser exato, esta noite chegou.  Eu havia retornado de um período de estudos na Universidade da Califórnia, e voltei a morar na mesma cidade onde havia começado a graduação em engenharia. Não sei quem me convidou para aquela festa no centro da cidade, mas o apartamento ficava a uma distância a pé do famoso Bar da Linguiça, o último que fechava nesta cidade do interior paulista. Quem havia me convidado? Alguém do sindicato dos trabalhadores da universidade com quem havia colaborado em mais de uma greve por melhores salários de professores, e funcionários? Alguém da associação dos pós-graduandos? Não sei mas ao entrar na festa, encontrei uma sala escura, barulhenta e cheia de gente, tocava um "rock and roll" bem alto, e eu busquei a varanda para tomar um ar, uma luz e abrir os ouvidos. A varanda parecia o único lugar com  luz, e esta vinha da rua. No canto havia uma mulher de estatura acima da média e cabelos curtos que fumava seu cigarro. A luz refletia nas ondas de fumaça e iluminava seu rosto. Mal coloquei os olhos nela, ou na silhueta que a luz da rua me permitia ver, ela disse: “Quer conversar? Aqui não dá para conversar. Vamos ao bar na Linguiça”. 

O bar da linguiça é destes lugares antológicos que toda cidade tem. Era frequentado por travestis, policiais, e políticos de esquerda, e mais a esquerda da esquerda, e claro os trotskistas. A moça caminhava pela rua do meu lado esquerdo. Risonha, apresentou-se, disse o que fazia, era professora universitária. Eu estava buscando emprego. Ela era membro do comitê, do partido ou da brigada, ou do grupo de estudos trotskistas. Tinha um sorriso bonito, ria com o corpo todo, algo difícil de ver entre militantes sisudos preocupados com as condições objetivos de uma tomada de poder que viesse nos resgatar das iniquidades capitalistas. Um militante que risse desdenhava do sofrimento do povo, e era considerado pouco sério e preparado para os embates da luta de classes. Interessante notar que o mesmo raciocínio acontecia na cultura protestante dos Estados Unidos. Um dia compus um haikai, poema curto japonês, que tenta descrever o que é complexo e intrincado em poucas palavras, a respeito do preconceito capitalista contra os risonhos na liberal Califórnia:

“Be unhappy, be unhappy
If you sing at work
you will be arrested ”

"Pareça infeliz, pareça infeliz
Se cantarolares no trabalho
serás trancafiado"

Chegamos ao bar da linguiça às 2 horas da manhã, e este começava a receber os policiais militares que ali, pensei comigo, descansavam antes da próxima incursão pelas ruas e periferias. Havia também dois travestis na mesa ao lado da nossa. Já havia ido àquele bar  e confesso que não gostei da linguiça e nem do lugar. Comecei a pensar no porque não gostava daquele bar. Eu nunca tinha sido de nenhum grupo guiado por uma ideologia, ou visão da realidade estruturada, com explicações e respostas para as causas das mazelas sociais. Eu era da linha pragmática e criativa. Eu pensava na época: como universitário o que posso fazer? como posso contribuir? aonde posso influenciar? Mas eu respeitava muito aqueles grupos e suas ideologias, pois também intui que a realidade é complexa, e um mapa para explorá-la é necessário. Eu gosto de me orientar por mapas diferentes, que indicam os modos diferentes de chegar a lugares parecidos. 

Eu estava bebendo aquela conversa com ela, suas estratégias e táticas bem como a conjuntura internacional, nacional, e municipal. Uma mulher na política enfrenta além das mazelas sociais, as de gênero. Eu disse do meu interesse pelo camarada Leon. Não havia ali uma paquera declarada, nem um interesse sexual explicito. Havia um clima, mas eu não sabia muito bem aonde aquilo ia me levar. Mas o certo é que eu não queria que acabasse no bar da linguiça. Nestes momentos, eu gosto de silenciar as vozes, os ruídos, os barulhos para ler apenas as expressões do corpo. É um lapso de tempo em que me entrego à observação do outro, e que foi subitamente cortado pela pergunta: “Vamos para o meu apartamento?”. 

Havia muitos livros na casa dela. Quando acordei vi que as estantes repletas de livros ocupavam todas as paredes e iam até o teto. Em todos os cômodos inclusive dentro do quarto, onde acordei sonolento enquanto ela só de calcinha me mostrava um pouco das riquezas de sua biblioteca. Eu estava na verdade em seu escritório de trabalho, seu “aparelho subversivo”. Ri sozinho, internamente e sem graça, desse jargão do universo conservador que marcou a repressão militar aos partidos de esquerda a partir de 1964.  No meio daquela bela preleção semi-nua sobre os livros importantes a ler sobre Trotsky, minha cabeça de repente se levanta de um só tranco. Violentamente sento na cama.

“E tem esse livro aqui de um poeta que escreveu sobre Trotsky, um tal de Leminski”. Finalmente, eu estava em frente ao oásis de um livro só, que para mim representava o que havia de mais interessante na literatura brasileira, e que eu tanto buscará anos a fio. E continuou: “Você acha que eu vou ler um livro de um poeta brasileiro sobre o Trotsky?”. Eu fiquei sem palavras...a busca havia terminado. “Você conhece esse tal de Leminski?” Eu não conseguia falar, balbuciava silabas cortadas. “Você quer? Eu dou para você”. E atirou o livro entre as minhas pernas, quase acertando no meu saco. Eu não dizia palavra, meus olhos injetados de êxtase e espanto pareciam com os de um drogado prestes a sair da crise de abstinência. Em minhas mãos trêmulas, a biografia de Leon Trotsky
pousava como se fosse um pouco de água límpida num deserto de palavras arenosas. Com esforço consegui articular algumas palavras, que saíram completamente desnecessárias: “Estou à procura deste livro a anos”. Ela continuava a passar os olhos nos livros da estante, já vestida com uma camiseta, e falava agora dos livros que estava lendo. O sol batia forte nas ruas confusas daquele domingo. Me despedi dela, beijando-a longamente, no que pareceu uma jura de amor eterno. Peguei um ônibus na esquina e voei até minha casa para ler “Trotsky: a paixão segundo a revolução”. 

Devorei o livro com paixão. Ali estava o velho e bom Leminski, que havia morrido anos atrás de cirrose alcoólica, mas continuava vivo na sua prosa inusitada, vigorosa e criativa. O livro começa 1000 anos antes da revolução de fevereiro de 1917 numa Russia dominada pela invasão dos povos nórdicos e mongóis. E lendo o sonhado livro, entendi que as misturas culturais que forjaram a revolução comunista na Rússia marcaram o destino da revolução. A prosa poética do poeta curitibano tratava das razões profundas pelas quais as pessoas e os povos percebem a vida, e seus conflitos, de determinada maneira e não de outra. Fechei aquele domingo lento e soviético, dando um passo dialético rumo a minha revolução poética, e fiquei pensando se a trotskista com quem fiz um amor 
literário deu seu passo a frente, ou dois atrás me dando aquele livro. Será que um dia ela finalmente vai ler sobre a paixão de um poeta brasileiro por um intelectual russo que teve papel de destaque na revolução de 1917? Será que um dia ela vai entender o papel que teve na minha revolução poética, ou o papel da poesia em todas as revoluções políticas, sociais e estéticas?


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

I(denti)dade

Quero te encontrar mais velha 
cada vez mais doce
Que venham os anos 
Ser natural vem com o tempo
Que venham as loucuras
os incríveis sonhos sem lugar nem beira
os grandes projetos sem planta baixa
Que os anjos ajam como uma alavanca
uma aventura que tudo arrasta
Ou, simplesmente que um dia depois do outro 
cantem a mesma cantiga de ninar:
“Era uma vez um menino...”
O atrito do mundo
a ventania que afaga
o sol que abrasa
todas as torcidas do contra e a favor 
ensinam que tudo passa
transforma-se na antítese
Que venhas me encontrar já velha
e novíssima no olhar
Quanto tempo te esperei idade
estavas perdida nas brincadeiras do mundo
que bom que chegastes 
Da catacumba da consciência 
agita-se um Nelson Rodrigues:
“Envelheçam! Envelheçam!”
Enfim, podes ver quem sou


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sampa é luta

Para cada Golias
um Davi na sinuca
na bola, na esquina
no bar, na igreja
no canto, na oficina
leva de boa
na mão, na rima
não foge da raia
na sala, no campo
vai levar na justiça
vai sorrir, escrever
não é mentira
nem curva fora da linha:
Sampa é luta 

XL: pequenos poemas para uma grande Lisboa

XL

Pequenos poemas para uma grande Lisboa








Osmar Coelho Filho




Prefácio

Estes pequenos poemas ficaram guardados, maturando. Vinho tardio, eles nascem das inspirações (e expirações) que tive ao visitar Lisboa e suas cercanias. Envergonhei-me do desconhecimento que tinha da antiga metrópole. Ao caminhar por Lisboa fui tropeçando de surpresa em surpresa. Arremessado no tempo, voltei séculos, milênios. Reencontrei-me nesses 15 dias que vivi na cidade, no mês de julho de 2012. Presto minha homenagem à Lisboa nestes 15 pequenos poemas.

Agradeço também a hospitalidade e a amizade da cravista Joana Bagulho, que me inseriu em sua comunidade de músicos, e nos recantos de sua cidade. Reencontrei-me com a sonoridade do cravo, que escutei na adolescência, e que deixou em mim uma saudade misteriosa. Lisboa é feita destas saudades e futuros.

Em 1755, Lisboa foi atingida por um grande terremoto seguido de um maremoto, que transformou o temor cristão do fim dos tempos em  realidade. Reconstruída, Lisboa mantém a magia de ter sido o centro do mundo, em especial no bairro dos imigrantes, a Mouraria. Ouvir ali as conversas em português, dos mais diferentes povos do planeta, faz penetrar em algo desconhecido e familiar.

Este livreto foi tecido ao som de Joana ao cravo, em seu cd “Acção”, onde interpreta a obra do grande violonista português Carlos Paredes.





I.

Vozes anunciam sobre os telhados:
A moda é internacional
Os comitês de Milão, Tóquio e Nova York
oferecem-nos soluções quadriculadas
Não necessitas combinar, trocar, escolher
vestidos, camisas e saias...
O verão lisboeta é um tabuleiro de xadrez














II.

Subir pelas paredes
Buscar no alto
o que está mais adentro
dos belos azulejos
das conversas cochichadas
das incontáveis estórias de Lisboa














III.

Não há quem veja a floresta
quando do alto da montanha
surge no céu o Castelo da Pena
pousado no verbo ver












IV.

Giram no vento
as torres do castelo da Pena
Têm pena do passado
do futuro que das torres do tempo avista-se:
Oceano











V.

Por um processo natural e muito humano
as montanhas de Cintra
sofrem uma metamorfose temporal
O castelo Mouro flutua num remanso... 
Nuvens velozes correm ao litoral












VI.

meu olhar é carinhoso:
vento que arredonda as pedras













VII.

Santidades e trindades da Igreja
aos Árabes parecia condenável magia
Conversar com  gênios
coisa de Orixás e guias
aos Cristãos valia o pecado capital
embalado pela sedução musical
de todos os santos africanos
Era o tempo do exótico, do proibido
do desconhecido pelos sagrados livros














VIII.

É preciso ouvir o instrumento 
que abraça o cravo
para que as palavras que dele murmuram
murmure primeiro em quem sabe tocá-lo
É preciso falar com o instrumento 
que experimenta o cravo
para que a música que dele ecoa
ecoe primeiro em quem sabe escutá-lo
É preciso dialogar com o instrumento 
que conhece o cravo
para entender a língua antiga
com a qual eles falam
É preciso degustar o instrumento
que no cravo descansa
para que os temperos de Lisboa
temperem partituras e lembranças
É preciso sentir o instrumento
que o cravo adorna
para com ele tecer a música
que o cravo adora







XIX.

Os muros da cidadela de Óbidos
separam-me do azul
Apoiado em ombros rochosos
vejo a torre do Castelo a sofrer
ataques bárbaros de andorinhas











X.

Do Barreiro ao Terreiro do Paço
embarcado vai o menino Léo
Filho do açougueiro de Cabo Verde
está atento à distração alheia ou estrangeira
pronto a colher o que cai da mesa lisboeta










XI.

os peixinhos da fonte
do convento dos Templários de Tomar
estão vermelhos de alegria












XII.

A luz preguiçosa do sol
fatia a casa portuguesa:
o quarto, a sala, o banho...










XIII.

A caravela retorna à antiga colônia
O Rio de Janeiro entra por centenas de janelas
Ilumina no corpo e na voz
um Camões envergonhado











XIV.

Do Rio, vejo o mar
que me leva a Lisboa
De Lisboa, tão largo mar
conduz o olhar
aos aposentos do rei
Ontem, enorme boca do Tejo
Hoje, baia da Guanabara
Sorvem o tempo
as capitais do antigo império
abraçadas de um abraço líquido 
dissolvido no mar









XV.

O poeta caminha pela Mouraria...
Africanos, Indianos, Paquistaneses
negociam o português
Ele é do Timor Leste
Ela é da China mas a conversa é em inglês
O bonde Carrera 28 já vai partir
para mais uma viagem ao redor do mundo
onde Lisboa acabou
em 1755





sábado, 28 de junho de 2014

futebol

aquele pedaço de terra
verde de grama cortadinha
eu podia crescer tomate
um pomar de laranjeiras
um poema laranja para brilhar no poente

neste pedaço de terra
eu podia plantar um hectare de flores
plantar batatas, bananeiras
os chineses plantariam soja
os ingleses plantaram seu lazer

hoje transmitido para mais de 3 bilhões
hectare mágico
no estádio em que setenta mil pessoas
aplaudem o jogo
o desabrochar da jogada genial

essa espera infinita que nasce
do lado de dentro deste minifúndio
nos jogadores diante do grande comercial
apenas homens
poderiam ser agricultores

poderiam ser operários
mas são artistas
os melhores do mundo
e a fragilidade deles e minha
toma dimensões planetárias

arte de levar a vida nos pés
na cabeça, nos ombros
equilibrar o planeta na testa
chutá-lo para longe quando insuportável
matá-lo com carinho no peito

fazer embaixadas de interrogações:
é hora de passar a bola?
é hora de ir sozinho?
(ou, de ir acompanhado...)
é hora de parar o jogo ?

é hora do gol
quando a vida é redonda
sem arestas e atende-nos como uma amante
é gol, é gol, é gol
êxtase sagrado

vitória humana
contra o inexorável
que insiste em viver
na nossa grande área
e se cair é pênalti

mas não cai
balança escorrega gira
dá a volta na certeza
meia-lua na sinuca
de bico com força

avante
para frente
sempre junto
do outro lado do erro
fazendo história

se for de bicicleta
quanto mais de cabeça
vale até de peixinho
de canela ou de ladinho
tanto faz se for bonito

a beleza não mora na vitória
nem se esconde na derrota
cabe numa jogada
que muda o nada
em tudo.

segunda-feira, 31 de março de 2014

todas juntas

todas juntas 
as estórias avulsas
as histórias oficiais
as vergonhas escondidas
os escândalos do presidente
prestes a cair...
a revolta silenciosa
o grande erro
a bobeada fatal
todas juntas
a grande merda
o grande salto
a verdade engolida
a cusparada da verdade
o mel das horas certas
a cachorrada sem tamanho
a traição da pátria
o roubo da galinha
ninguém viu adão
a falsa gloria
a opção errada
todas juntas
o amor negado
a noite mal dormida
a decisão a favor de ninguém
a indecisão salvadora
a merda bem feita
a bosta dos outros
o espelho partido 
o velho que remoí o passado
o novo que teme o futuro
a cantada mal dada
a cantada do caralho
o beijo que morreu na praia do desejo
todas juntas
o grande plano
a meta parida
a espera na força
a fé da espera
a paciência de quem se conhece
o furor do desconhecido
o convite da vida
o chamado da sereia
a sedução da serpente
alucinações acordadas
as papoulas do oriente
epadu dos hermanos
marijuana para tensos
café arábica 100% lá em casa
o dia a dia a dia o mesmo
a criatividade do anúncio
a teimosia da tradição
a sabedoria do que dá certo
o olho no futuro
o pé no passado
coração presente
todas juntas
a noite bem dormida
a decisão na hora H
o amor generoso e escondido
a mão do carinho certo
a palavra dura que caiu no abismo
o sorriso do amigo
a mão do desconhecido
o golpe de sorte
a colheita farta
o plantio duro
40 anos esperando o leviatã
o teleférico da favela
a amante da vida toda
o negócio da china
o quitute que vende pacas
todas juntas

oc

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Grand Event

chegamos lá depois da chuva...
o desejo encontrava seu arco-íris
nos contornos de um sábado de verão
enganam-se:
não foi um grand event
era um sábado comum
o café fazia seu caminho na água morna
no forno a berinjela tiritava sonora
três mulheres trocavam alianças de eterno compromisso
em um dia como esse
um milhão de dias já se passaram...
ancestrais renascem no café da manhã
almas de seu involucro temporário
miram a beleza deste último dia
ou, do primeiro dos últimos dias:
quem diria que seria um sábado de janeiro?






A Capoeira convida

Capoeira convida  Aflorar na pele Aquífero escondido para dentro da vida Convida a gingar milhares de anos nos segundos da finta Revirar a a...