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sábado, 4 de agosto de 2018

Negócio Fechado

Emissário do "1%" dono de tudo
ofereceu-me uma dinheirama
para ensiná-lo a amar
e a receber a poesia

Não precisa pagar, eu disse:
Ao trilhardário tudo será doado
desde que compartilhada
1% da felicidade almejada

Como repartir lhe é avesso
antítese do acúmulo e da soberba
recebi e-mail sobre a negociação:
o negócio está fechado

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Poesia ou Morte

poesia ou morte no dia a dia
sal que salva
a vida não adia
mais poesia
por mim, por nós
nem mais um dia...

sem poesia reina a melâncolia
que rima com melância
mas não tem graça, cheiro ou alegria
Planta a poesia no coração
para não viver esse dia a dia


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

O Cachorro e o Lagarto (de Eduardo Pedrasse)


Dentro da cabeça de cada homem
embaixo do cerebelo
existem duas celas geminadas
Em uma está o cachorro
Em outra, o lagarto

Só se abre a cela do lagarto
de dentro da cela do cachorro
E obviamente o lagarto só sairá
se o cachorro for liberto antes

Muitos abrem a cela do cachorro
Somente os experientes, e os incautos
a do lagarto

O cachorro,
Se for deixado à vontade, brincará até cansar,
mas pode ser controlado
se lhe dermos para lamber algumas limas doces
Ou deixá-lo mordiscar pitangas

Já com o lagarto é outra história...
O grande lagarto vive dormindo
Com sua bocarra cheia de dentes, grande língua carmim
e uma baba que gruda como visgo

Alguns, não satisfeitos em se divertir com o cachorro
Abrem a cela do lagarto
E ele, primitivo e insaciável,
irá morder, destroçar e deglutir quem o libertou
E só parará quando não sobrar mais nada...

...uma viagem sem volta

A CIA, o Papa e os Russos tentaram muitas vezes
exterminar o lagarto
Mas viram que assim matam também quem o hospeda...
Um dia descobriram
que a melhor coisa a fazer é satisfazer o cachorro

Assim ele sossega e volta logo para sua cela
Impedindo, deste modo,
que se abra a cela do lagarto.
Noite alta
a procura de biscoitos:
somente farelhos

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

3:45 am

Na alta madrugada 
o enorme cão ladrava
Seu nome: Atlântico
Quem irá afagar seu pelo de nuvens brancas?
O pássaro de ferro acariciou a ventania
Atlântico abanou o rabo e nos deixou passar

Touching Cairo

Cairo wakes like taxis buzzes 
like my mother waking me up

I can touch them

Marx in Cairo


Given all the material conditions of existence
There will be here always an open yellow door

a blue breeze blowing

Cairo

In sweeties
In breads
In arguiles smoking
Herbs are playing the alaude
In all those worthless spices
one finds such a liberty
that smells over the whole city of Cairo
Seized by new conquerors
but totally free in little things

sábado, 21 de julho de 2018

Mi América del Sur

Buenos Aires podria ser la mas bella ciudad de Brasil
y Salvador una ciudad en la Triplice Frontera
Mi mapa sentimental de la America del Sur
Ciudades son territórios emocionales
El amor lo pongo en Rio de Janeiro
La coraje en Montevideo
La esperança del Pacifico viene de Lima
En Bogota, la belleza de las artes
que podrian llenar la arquitetura de Brasília
Recife caje bien en un fin de tarde
adelante del Atlântico la isla de Fernando de Noronha
Amanecer em Santiago é sencillo y lindo
almuerzo em Cartagena de las Casas
la cena en el bairro italiano de San Pablo
Mi continente de dolores y plazeres:
alli tengo todo que necesito
en el laboratório planetário de la humanidad

sábado, 7 de julho de 2018

Trem da Liberdade (para Dea)

A vida pede pouco
para o muito que ela entrega
Renasce o universo como palco
que você brilhe e conspire
Resista saber
que bicho vai dar o futuro
do outro lado da esquina
No trem da liberdade
cabe um dia de vinte e quatro horas

A vida pede um pouco de coragem
para semeá-la em sua ciranda
O rastilho de pólvora dos pequenos sonhos
incendeia uma festa de São João em Pernambuco
o Carnaval em Salvador
a festa de Santa Quirupita no Bexiga
São tantos os cantos cheios de luz
neste imenso continente sul-americano

A luz matinal de Cuzco
As planuras sem fim da Bolivia
O abraço caloroso do Rio da Prata
O imenso jardim da floresta Amazônica
Nós, os povos esquecidos do sul
depois descobertos e renomeados
somos mais que torcedores de futebol
Somos aqueles que lêm o universo
em pequenas e infinitas linhas

A vida pede pouco
Um solo de violão
um verso rimado ao final
Somos o sal uns dos outros
cinema itinerante somos imagem
corpo e sangue de uma era moderna

A vida pede um olhar
Uma pista para seguir
encontrar logo ali a prodiga
mãe de todos os sonhos
Os trens vão sair da estação liberdade
rumo ao horizonte azul
Leve sua luta pequena para passear
até ela ser digna da vontade
do universo de amar

Potiguar

A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...