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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Tudo é mar

Tudo é mar

no universo português

A próxima onda

a inesperada tempestade 

a nova costa 

marcam o tempo

As favas com os relógios

urbanismos e cartórios

Ao mar, patrícios!

Sussurra aos ouvidos 

o coração renascentista de Camões


O novo mundo é uma atitude

não um continente

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Elon doesn't match Musk

When I listen Elon
it sounds Gump
Then I watch the film
later I listened to the podcast
It's difficult to disentangle

cartoons from reality
Forest Gump from Elon Musk
An American soft power again
one may say
Eventually, I got tired 

to understand what is there 
to appear the novelty
Elon is a cool guy
He wants to hurt anybody
He loves science and space travels

His heart looks like pure
His rhythm is energetic
He already lives in the future
Why not you and me?
He is weird but fun

Why not be like him?
There is just one Musk
but a couple of rich and smart guys
to fill up the rocket when the time comes
This is a tiny club to be reached

There is no place for me
there is no place for us
You can try to be Elon
but never will be Musk
because that joint is a venture

sábado, 16 de abril de 2022

As Águas (para Luís de Camões)

Canto I


Descer as escadas do poço ancestral

do medo ao encontro do universal

Um pouco d'água para aguentar na luta 

Celebrar a união nossa 

animará os passos ao futuro

daquilo que podia ser compartilhado ainda a disputa

germinada pelo tanatus da crise plantada

onde o sol nublado é mormaço e mais nada


Canto II


Que a inimizade não afaste a azul verdade

O poço é nosso ainda que a jornada solitária seja

Que o castelo soçobre mas que o poço jorre 

A água da minha força é também vossa

Separadas as águas abrasasse o sol

mas da reunião nossa e amiga novas nuvens serão formadas

O que se pede é pouco para que cada um ao seu destino chegue

delta onde nossas conquistas encontram as derrotas


Canto III


Que o primeiro passo da jornada seja um gole azul da água

Nela a nossa união eterna e consagrada

Mesmo distante pelos sete mares

entorpecido pelo vinho da ambição

busquei no fundo do meu poço a água que é vossa

Ir ao fundo das coisas necessário seja

para entender os kairus e os cosmos 

pois se separados estamos seja a água a grande aliança


Canto IV


Eterno e profundo é o poço e sua verdade

Da pouca água do meu corpo possa ser encontrada a vossa

Não nuble a consciência o sol do desejo intenso

da separação de amigos e convivas

não impeça meu barco de recolher naufragas alegrias

Que a luta ainda quase finda e falta pouco para desaguar na vitória

Em nossas águas recordemos o oceano ancestral dos encontros

Não nos permita o medo de evitar tempestades


Canto V


Se bom navegador sou 

levarei a caravela nossa a mares desconhecidos

Celebraremos nossa união e força

em taças da mais puro água

para animar a luta e suas reviravoltas

De cada conflito surje uma nova nascente

que cura e limpa as feridas

de ambições solitárias e desmedidas 


Canto VI


Que essa ilha de desejos e seus rochedos não nos ponha receio:

enfrentar desafios é da nossa história e gênese

Celebrada em mares calmos de alvas praias

ainda que a cada um seja dado a própria água

o sol abrasador da cobiça seca os versos 

O futuro convida a descer por rios novos e vertentes

para além das inevitáveis separações

que as corredeiras sacudam as falsas verdades


Canto VII


Que eu não tenha receio como Camões de ir á África e a Ásia

na busca daquela verdade última para finalizar a jornada

Que a ansiedade da vitória não impeça a esperança nova

Ao chegar já recebo novo convite pois a água não para

Que a separação de hoje seja riacho do amanhã

Celebremos nossas águas no caudaloso rio da história

A utopia minha é vossa e vossa água é nossa

Somos marés de mudança, somos ondas




quinta-feira, 24 de março de 2022

Windy Lisbon

Lisbon also means downpours and moisture

As one got trapped between streets 

then packed under the balconies

of old buildings scaping from wetness

he understands what has fueled Portuguese folks

through history to fly over the deep blue sky

reflected in the Tagus River

asking for one more caravel to jump into

the unknown sea of discoveries

Dos Prazeres

O cemitério dos Prazeres em Lisboa

tem horários de visita fixos para todo o ano

Mas a morte não tem horário...

Morrem gregos e troianos

tal e qual romanos e gentios


Dos restos da memória

constroem-se mausoléus 

cruzes de pedra ou madeira

Mármore gravados com nomes e datas

mas são gatos e gaivotas


os verdadeiros donos do lugar

A morte é negócio

A vida é um troço que se pisa

tal e qual ponta de cigarro

ou é fogo que ilumina a cidade


Ainda é Lisboa

Do alto do Castelo de São Jorge

uma voz ancestral grita:

"Ainda é Lisboa!"

Meu coração agitado

quase que se arrepende

de ter pedido a Lisboa 10 anos atrás 

que aceitasse o novo ciclo da história

"Ainda é Lisboa" a voz repete...


Sim, a cidade é mui preparada

para acolher a todos

 

Concordo com Camões:

a mundialização ibérica do bem viver

é costurada por acordos, sabores e temperos 

de Paquistaneses, Brasileiros, Timorenses

Peruanos, Moçambicanos, Ucranianos

Nepaleses, Angolanos, Indianos

Bugigangas chinesas por todos os lados

carros por todos os cantos


O rio Tejo segue seu destino de mar

Lisboa deve seguir o dela

 

O poeta estava certo? Alguém responde:

"Vai ser mundo de novo Lisboa!"


 

A Jangada Brasileira

Viajar latitudes ao norte

longitudes ao leste

causa uma distorção poética no olhar

Visitar o velho mundo neste momento

em que Kairus apresenta suas crises...


Diante da pandemia, guerra e recessão 

reativa-se o destino da jangada brasileira

que navega esse planeta sem rumo

com suas sementes de renovação

Enquanto festejamos


nosso diminuto lugar no globo

distraídos intuímos

o imenso território do futuro

O mundo despenca no abismo da mudança

e durante a queda ouve-se ao longe


o nostálgico som de uma bossa-nova

terça-feira, 22 de março de 2022

Metaleiros

Germânicos, Austríacos

Tchecos e Eslovenos

são povos metalúrgicos

Transformam o metal que derrete ao fogo

em mil e uma coisas

para fazer outras tantas coisas mil

Até que o mundo todo 

cheio de coisas

tenha que respirar por aparelhos

LX 2022

Uma viagem ao coração europeu

10 anos depois...

Tão longe, tão perto

da guerra e seus fantasmas

O novo mundo, suas multidões

visita o velho mundo português

Europa que existe apenas

no coração latino-americano 

encontra um continente que já não é

sem nunca ter sido

Este reflexo no espelho

Portugal abre as portas das verdades:

Lisboa flutura

no mar do futuro



segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Benjamin

Benjamin, o homem-livro, pedreiro dos tijolos de papel construiu uma torre de babel para ver o futuro. Conheci-o no Rio de Janeiro onde relatava aos visitantes o passado da terra de Vera Cruz, que desagua no presente e abre o mapa do porvir. Esse povo sofrido, mestiçado de esquecimentos, tem direito a uma história bem contada aos que aportam nas costas do atlântico sul. Benjamin, o homem-livro, aberto e generoso, das torturas ás solitárias descobre um país através de um labirinto tortuoso e infinito, e depois vai contar a todos o que viu. Palavras são primeiro pensadas depois faladas, e por último encarnam em celulose: o atrito entre elas gera calor. Benjamin, o homem-livro, livre nas rimas e relâmpagos da consciência, costura em um bric-à-brac de livros, falas, cartas, o mar. Marés e vagas movem essa jangada de pedras e matas habitada por um desejo de mundo novo chamado Brasil. Benjamin sabe navegar o tempo.


Potiguar

A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...