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sábado, 24 de julho de 2010

Pimenta


A dor da mutação enquanto tudo adormece...
O vermelhidume mancha seu corpo
Encorpar e arder
enfrentar os mistérios do ser
No pequeno jardim da janela
ela é minha sentinela:
O que é do vermelho é assunto dela

terça-feira, 8 de junho de 2010

surf na pedra


Surfando na pedra escura
decifro os sinais:
o skate lê o asfalto
Um filme em câmera lenta
salta aos pés

domingo, 16 de maio de 2010

O quarto


mesa de trabalho, cama
luminária barata, portátil
o bom travesseiro dobrado
meu quarto, palavras, planetas
ângulo exato da leitura
elípticas órbitas, estrelas

sábado, 8 de maio de 2010

corpo


Assomam-se os fiéis da desencarnação
É fundamental que o corpo ali esteja
causando grande atenção
A moto destruída, a estrada interompida
o público assisti a uma ópera silenciosa
Então, havia uma alma...
O metal das minas gerais segue de trem para o Japão
Quinquilharias chinesas encalhadas no km 47
O corpo está vivo!
Os corpos estão vivos!
Foi a alma que morreu
na encruzilhada em que a gente se meteu

sexta-feira, 7 de maio de 2010

pingado


Café com leite e açúcar
Alma e história, sangue pisado
o pingado me enraíza
senzala e fome torturada
o esquecimento boiando no leite morno
Os três filhos da minha mátria
O café negro encarcerado
o branco leite desterrado
a tristeza indígena do açúcar, rodopiando
eixo fumegante em caneca de barro
desce macia na garganta minha herança

sábado, 1 de maio de 2010

incandescentes

Troquei a tal lâmpada econômica
pela comum de 100 watts
Cem velas e sem ecologia
entrei numas de descobrir minha geografia
Sabe aquela da luz amarela?
Deu um Q de Hollywood no meu quarto
Tudo pareceu novidade
Mudou o café, na caneca, mais charmoso
A lagartixa ficou espetacular
o inseto debatendo-se na boca de um animal selvagem
Dirão os ecológicos a um custo bem maior
mas essa luz revelou os esquecidos
detalhes incandescentes do meu dia a dia
Até a bela mariposa, de volta
com suas maravilhosas acrobacias ao redor do abajur

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Amar, verbo infinitivo

Amar é perigoso
Tudo que ilumina descobre algo no outro
Vida regulada para sua mínima dose
Loucos e viciados serão enviados
aos serviços de manutenção da ordem espiritual

Amar é sem volta
se o vês por todo lugar
reze o pai nosso até a coisa passar
As cidades refratárias ao amor
não valorizam o níquel

que circula na economia informal dos corações
nas constelações e em outras dimensões
Tão longe e tão perto
tão necessário quanto invisível
sopro que vem silêncioso e incorpora no além

Condição sine qua nom de todo direito
chamado vital que ordena antes de toda ordenação
desconsiderando leis e cânones morais
o mais banal princípio do universo
fica indefeso diante dos tribunais

sábado, 17 de abril de 2010

pequeninos...


Não mexa com quem é pequeno
meu pai sempre diz
ah! que tristeza que me dava da Grécia
sua nostalgia dos tempos áureos do Olímpo
o pequeno Uruguai de gente tão bonita
o pobre e fértil Malawi
sua diversidade não será lembrada pelos poderosos
A matriarcal Islândia
com suas bruxas oficiais celebrando casamentos
vinga todos os pequenos
seu vulcão de vulcânico nome lança areia e fumaça
no fim de semana Europeu
Não duvidem dos pequenos
o melhor a fazer é não mexer com eles
senão se mostram gigantes e revelam
o que guardam há milênios

sábado, 10 de abril de 2010

On the top of hill

At the university,
I can see sweat and hard work in those sweet smiles:
Chinese, Mexicans, Europeans
African, Central and South American immigrants
Their kids laugh on the top of hill
What to do with this alien wisdom they've carried?
Or, would America be only a blender
melting all colors in tasteless hamburgers?
It should be the diversity that changes
urban areas in a interesting kind of human forests

Vision

In my heart,
the little dying bird
on the road
is bigger than the huge fast truck
on the highway

Potiguar

A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...