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quinta-feira, 3 de maio de 2018

O grilo

Saltando em frente á iluminada loja
de produtos eletrônicos:
o grilo está ligado 

domingo, 29 de abril de 2018

A rosa e o barro

Escavar nos olhos
mãos e pés no barro
No calor das palavras
fazer soar ritmado
o barro que renasce
músicas ancestrais, parábolas e cânticos
na busca do tocante silêncio

Hai Kai para a Lua

Dóis pássaros em pleno vôo
viram-se para ver a lua cheia
Eu em plena bicicleta
também me viro para vê-la 

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Á Beira de um Ataque de Rimas

Agora é que são elas
As poesias não querem mais a fria tela de vidro
nem os downloads que viajam pelo ares
sem parar nem conhecer caminhos

Elas querem fazer passeata
roubar o chapéu do rei
regar desertos com versos
Não querem aterrissar no papel

Por mais branco e puro que seja
as poesias estão à beira de um ataque de rimas
Não querem diálogo com o silêncio
querem vasculhar os cantos esquecidos da cidade

para declamar o poema da fragilidade urbana
As poesias estão prontas para o combate
no lugar e na hora que a realidade
aceitar o desafio

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Homo sapiens poesis


Miríades de células, veias e sangue
compondo do caos um cosmos
corpo que percebe a poesia
mas começou outro dia
á articular os ossos e os músculos da face

para fazer vibrarem as cartilagens
para descrever nadezas e abstrações
coisas que não existem no mundo das pedras e dos escorpiões
para fazer o poema foram milhares e milhares de anos
para explicar-lo ainda vai demorar um tanto

outros milhares a mais
enquanto isso versos caem das árvores
atravessam galáxias e brilham estrelas

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Pilotis

Posso namorar no pilotis?
O vento pode e faz
Posso conversar no pilotis?
O vento passa e assovia
Posso ouvir música no pilotis?
O vento dança um pas-de-deux
Posso dormir no pilotis?
O vento descança nas curvas de Niemayer
Posso recriar o pilotis?
O vento é filho das tensões planetárias
Posso grafitar o pilotis?
O vento leste leva as verdades para o oeste
Posso resignificar o pilotis?
O vento transpassa os corpos e a arte

África-Utopia

África neon
Futurista e livre
Longe do escanteio da dúvida 

África anseia por tudo ser
Imensa mãe da vida
pulsa ainda chama de lamparina

Nunca vai apagar
Queima por dentro África
faz-se dança e ingênua

Para sobreviver ao arbítrio 
dos senhores que desconhecem
a beleza da mágia dos Orixás

O que te prende ao passado África
foi arrancado do frondoso baobá do tempo
É africanidade: presente!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Noite Veloz

Dentro da noite veloz

Sexta-feira, 6 de abril de 2018

Anoitece São Bernardo cercada de esperanças

Um corpo imperfeito feito em Garanhuns, Pernambuco

está no segundo andar do prédio do sindicato



É um corpo desfibrado

mas encorpado de milhares de vontades

O primeiro emprego

A faculdade

O primeiro cliente


Anoitece e a polícia de longe observa a multidão

que bloqueia a violência

Bem aventurados os que creem e lutam

pois não há outra opção

Dentro da noite veloz

perto da fabrica da Volks e seus 40 mil operários

hoje apenas 400 trabalham vigiados pelos robôs



38 anos se passaram desde a última prisão


A China compra ainda mais nossas commodities

O novo governo do norte cobra alianças jurídicas


Volkswagen, General Motors, General Eletric

O orgulho dos italianos que aqui chegaram

com uma ferramenta na mão e um sonho no coração

agora bate descompassado esperando a hora da prisão



Este grande pedaço da América do Sul está diferente

mais consciente apesar da inconsciência ainda


Escondidos os agentes do estado esperam a hora

de encarcerar a história do povo brasileiro

Luís Inácio está cansado



"Se entrega Luis Inácio!"

"Eu não me entrego não!"

Esta velho e diabético

mas a ideia de um Brasil mais doce 

está no segundo andar

É como o bebê que não nasceu mas vai nascer


Coisa delicada é o coração do povo

Além da noite veloz em São Bernardo

surge a grande noite sul-americana

de trabalhadores que irão dormir com fome

fome de justiça negada
secularmente





terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Como luva e biquíni

amar-te
amar o corpo teu 
que veste o tempo 
como luva e biquini
tirar as melhores lições
tocar tua memória nua
bela desfila as décadas
revela que tudo
não passou de segundos

Durou mil anos ou foi um upa

Noite, noite tão noite
não te vi chegar
não te vi passar 
não te vi partir

Durou mil anos ou foi um upa
por um triz tudo que havia
para ser cortado como pão
e passado na manteiga
foi comido com fome noturna
de quem acordou em deserto

Não te vi partir
nem te vi chegar
estavas aqui
na vontade de voar


Potiguar

A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...