Muitos anos depois encontrei
nas conversas com antropólogos
alguem que me entendia:
a casa era a rua
a rua era minha amiga
(Roberto da Matta
sabia das coisas)
Até a roupa da rua
era o meu melhor pijama
Mamãe vaticinava:
"é um ruéiro"
Já conformada com o tempo:
"é um cigano"
Eis que o tempo passa
como um trem bala
Atrás da porta do banheiro
a roupa que mais gosto
é a da casa
A roupa da rua é necessária
A da casa meu eu verdadeiro
Será que foi a pandemia?
Que transição paradigmática:
a casa é a rua
a casa é corpo
O inferno não são os outros
O inferno é a rua?
O fenômeno é complexo
Trago da rua a essência
que é tão dos outros
quanto minha
Leve de casa o ego
que é tão do mundo
que me desconheço
Habito um linha de fuga
que vai dar na minha casa
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