É lento, às vezes brusco
movimento, às vezes nem isso
um tanto do tamanho
da crise do Nepal
Um filete d'água nasce do atrito
de grandes blocos de gelo
no alto da montanha
É poesia
O primeiro aviso é belo
O último segundo antes da debacle
É metáfora
aquela que Jesus dizia
Gota a gota
Segundo a segundo
É verso que chia
É água do futuro
longe do tempo da atenção
A última gota transborda o verso
Entorta a frase
cria o fato consumado
A crise não é oportunidade
nem flor que se cheira
É a verdade batendo na porta
É verso que alarma
Às vezes dói
Às vezes, voa
Não se engane poeta
A poesia no alto da montanha
é aviso para versar a vida
de uma outra rima
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