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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Homo urbanus

O esqueleto jazia no carro do trem
anguloso, esquálido erígido 
sustentando seu Homo sapiens

O esqueleto não se parece
com a caverna fumegante de quatro rodas
É condor metálico de duas e uma vontade
de pedalar fantasias e  estórias

Centauro das reentrâncias do mundo urbano
escorre pelas vielas e becos
o novo Homo urbanus 
movido por sonhos ciclicos e direitos á cidade

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A nuvem

A nuvem não queria ser vista
seu supremo desejo era sublimar o insublimável
ser indivisível e tão mais leve que o ar
que faria companhia as brumas invisíveis da lua
que só os poetas avistam
A nuvem queria não ser nuvem
queria ser apenas leve vapor 
inspiração para alçarmos voo
A nuvem queria ser invisível
para ser unanimemente presente

Criançamento

A incrível contribuição de todos os erros
na caminhada rumo a infância do espírito
Caminhamos e envelhecemos
rumo a completude da incompletude
ao criançamento da maturidade
Enfim, estamos de mãos vazias
Tudo que existe debaixo do céu
é feito de nuvens e ar
Encham os pulmões e construiremos a vida
a partir do pó de nossos ancestrais
A passagem é rápida
muito fugaz é o tempo
esquecida a memória
Fizemos isso e aquilo
fomos responsáveis pela construção
do que em breve será matéria de desconstrução
Eu, você e nós já teremos ido 
rumo á leveza da existência

Tempo de enraizar

A gente querer a gente quer
A querência nossa em nós parece bela
Uma praia azul com coqueiros
por vezes, o outro fica sem lugar
Querência que inclui quereres outros
rima com diversidade de destinos
Meu pai se foi no vento no exato momento
que seu querer não encontrou solo nem rio
para enraizar e crescer neste mundo
Foi fluir no mundo do verbo
para enraizar nos meus sonhos
A tarde de inverno despede-se
acena como orquídea
na mão de um menino que flutua
dentro de um velho

Karma

Passar o passado a limpo
bem lisinho
Cada rusga mal passada
se multiplica na máquina do tempo
Passado que insiste em estar presente
Antigo inimigo
Quem te viu, quem te vê
Reconhece os frutos do infortúnio
Os doces chegam tarde na hora certa
quando vêm de livre de espontânea vontade
chegam transformados e transformando
Eu juro que vou viver 
o eterno retorno do passado renovado
O futuro será bem plantado
no meu karma

Vida de Poeta

Eu sou frágil: fragilíssimo
Coloquem em mim aquele adesivo vermelho: FRÀGIL
Quando forem me transportar de um lugar para outro
expliquem ao pessoal da transportadora o meu estágio

Eu já me achei mais fraco e perdido
Eu já me considerei um semi-homem
aquele sujeito sensível
o irmão mais velho e inofensivo das amigas

Tal qual era o estado da minha auto-estima
Na minha casa o único homem era meu pai
Ele fazia as escolhas
era o cara que mandava

Mas eu teimava em ser outro 
que tudo suporta para sair do outro lado de lá
sujo e escoriado com estórias para contar
Eu minto para mim e dou conta de qualquer barulho

Causando grande comoção na torcida
Eu consigo ver o que é frágil no outro e até seu segredo
A quinta-essência da minha coragem
aparece quando o bandido acha que já ganhou a parada

Eles não conseguem me ver
esse é o meu segredo
Essa sensibilidade eu creio 
ainda vai me levar além da vida de poeta

Manacá

Manacá venha cá
Traz-nos chuva renova a esperança que não pode secar A secura da alma é pior Traz-nos água nos olhos manacá suas flores emocionam É água que já vai chegar?

Código da Vida

Os códigos foram revelados
É possível saber qual sera o próximo passo
mas não é possível descrevê-lo
escrever, filmar, anotar
É possível lê-lo em uma língua intraduzível
a língua da alma e dos anjos
Esta próximo de acontecer 
a vida está cronometrada
No relógio divino dos deuses
Oh! hosanas nas alturas
Aqui em baixo a frágil noção
de que não iremos estragar os planos divinos
O destino no final nos protegerá de nos mesmos
Está muito próximo da verdade
se revelar dialeticamente
como em moises
como em marx
como em saint exupery
Os mecanismos que coordenam miríades de coisas
objetos, animais, plantas, humanos
serão revelados mas não se sabe quando
A vida de um poeta esta toda contada em versos.

Ohio

O descendente de tupinambás e portugueses e sabe-se lá
o que mais carrega nas veias e na alma
vai ao shopping e carrega no corpo
uma camiseta com letras garrafais: OHIO
Seus ancestrais portugueses poderiam perguntar
“Oh! raios por que não: ALLENTEJO”
Outras marcas são oferecidas ao rapaz
entre o metro, o ônibus e o shopping  mall
Todas dizem mais ou menos assim:
sem mim você não é tão bom quanto ou pior
você não marca nada
leva goleada para o time de quem tem:
plano de saúde, carro do ano, milhas aéreas
Oh! Raios!
Ohio sabe consegue ver o Brasil

Potiguar

A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...