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terça-feira, 25 de julho de 2017

Masculinidade Ancestral

Têm dias que a espinha de tão ereta
o coracao de tão tranquilo
abrigam uma mente quieta
No corpo reacendem os sonhos paternos
No espelho da alma 
cada passo encarnado de masculinidade ancestral
Sou poeta e minhas ferramentas são versos
prontos para enfrentar moinhos de vento
cavalos de tróia, montanhas de acasos
tsunamis de incertezas pois nada me é estranho
Sou sopro e pó com data marcada
para entrar e sair do jogo
com gols e rimas para inspirar aos que virão

domingo, 16 de julho de 2017

Conversa de Inverno

Ao lado do parque:
Três homens concentrados em sua conversação
O sol é de inverno
Conversas aquecem a cidade

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ode ao Ipê Roxo

I

Sol vegetal do cerrado
de raios arroxeados
aquece essa tarde de inverno


II

Nem as vedetes de Toulosse Lautrec
em seus esvoaçantes vestidos coloridos
chamaram tanto a atenção
quanto o ipê roxo em flor

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sua Majestade a Árvore

É assim que acontece:
como um choque paralisante
Um finito segundo interminável
onde acontece a magia
Nem em sonhos
nem na imaginação
e tão pouco nos antigos mapas perdidos
das terras do novo mundo
poderia estar descrito
o singular encontro de um poeta e uma árvore
Ela em sua majestade anônima
Ele nascido para ser súdito do belo
"Em que posso ser útil majestade?"
“Corra pelo mundo e conte a formosura minha”
“Revele o quanto sou feliz...
...quão sublime é ter raízes no planeta”
Apresso-me pois não há tempo a perder
A feiúra ganha espaços na guerra contra a beleza
Chego a casa e passo a escrever deste encontro notável
para que todos possam tê-lo

sábado, 8 de julho de 2017

Declaração ao Alho-Poró

De suas entranhas, a inspiração
para as mil folhas francesas do croissant
Fatiado indo para a panela
seus círculos tornam-se infinitos
flambando no azeite português
Se não fosse um planta
Seria uma grande invenção gastronômica
Seus mil e um papiros enrolados de saborosos mistérios
Trazem o leve sabor de quem se depurou 
das agruras da terra
das impurezas das chuvas
da lâmina afiada do sol do meio dia
para se entregar ao paladar em estado de pureza angelical
Assim é o alho-poró,
o irmão mais evoluído e altivo do alho.

sábado, 27 de maio de 2017

Divinas Encarnações

Os vivos quando não encarnam a vida tornam-se fantasmas de sua ausência Mas se encarnam reverberam ressoam como um instrumento afinado ritmo inesperado
brilho difícil de esquecer A vida fica então bem assombrada Ancestrais comemoram o refinamento da geração e os deuses suspiram aliviados: a divindade está de novo entre nós

domingo, 30 de abril de 2017

Belchioranas

Elis se foi e agora Belchior
Acidentes geográficos demarcam o caminho...
A montanha da Urca e o Corcovado tomam nota
É muito ou pouco na vida de um homem
Latino americano, surpreso, culpado, com medo, caminho
O tempo e os relógios se repetem
Quase meia noite ou 1 da manhã
Ou, serão 10 da manhã?
Meu corpo é um relógio mudo
Passa o tempo, passam as revoluções
os retrocessos e as santas regenerações
para que as coisas no caminho
tenham cor de amizade e risada na cozinha
Milhares de cozinhas saboreando o passado
Latino America ainda não tens o direito de ter memória
Chamam-te eternamente jovem
Escrava envelheces na escravidão
A juventude de teu sofrimento inspirará os cantantes
Sejam os teclados dos computadores as teclas dos pianos
os couros todos e as orquestras tocando belchioranas ao luar
levando alento e ritmo à tua busca de felicidade

domingo, 19 de março de 2017

Inominàvel

Se cada um fala do mundo
como se todo o mundo falado fosse
de um, de uns, outros e todos
Toda lingua nomearia o arco-iris
do jeito que falam as cores
Multiplicam-se as trocas
escambos de sonoras palavras
Semeiam-se conflitos sobre a essencia das coisas
Sela-se a paz com uvas e vinhos
Cada lingua particular destino de nomear
a vida inominàvel

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A velha máquina de lavar

O calor do forno
o bolo que já vai sair
Até o barulho da velha máquina de lavar
é musica instrumental
uma batucada de ritmo familiar
Família é um campo magnético
cultivado de reciprocas sinergias
Eu vejo música, eu ouço belezas
e dou risadas dos silêncios
que desabrocham dos seres familiares
incluindo os objetos e os bichos
Eu poderia falar do multiprocessador Wallita
Não é um Brastemp
mas é uma persona encantada na cozinha de minha mãe
Assumo o papel que era de meus pais
fazer-me sentir bem no meu próprio corpo
Fecho a porta deste universo particular
a casa de minha infância
e vou caminhar na lua

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Praça

Subitamente, uma praça

Um pai correndo atrás do filho de 5 anos

Um paço criado pela frondosa sombra das árvores 

Potiguar

A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...