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terça-feira, 3 de setembro de 2019

A minha São Paulo


Vou fazer um poema do tamanho de São Paulo
para desaprender São Paulo
para criar outra São Paulo
1,2,3...
Uni, duni, tê
Mais um dia se passa
com cadáveres boiando no Tietê...
Não é possível!
Até o impossível é possível em São Paulo
São Paulo tem um shopping de brinquedos
Tem loja de boinas
Tem bar de coxinhas
Comida da Austrália
Qual a vantagem, São Paulo?
Ela ri com seus dentes de ouro
São Paulo e seus bandeirantes
Só uma pergunta a São Paulo:
“Por quê?”
São Paulo emudece...
“È que acontece...”
Tudo acontece em São Paulo
mas ninguem tem saudade
quando sai da cidade
São Paulo é metamorfose
São Paulo é de veneta!
Cada rua é um município, cada bairro um feudo
Avenidas são pontes entre os mundos de São Paulo
O futebol funda a nacionalidade
Cada religião entrega a espiritualidade
Posso escolher, São Paulo?
Quem não te conhece que te compre
São Paulo se revende e fica rica!
Seus rios pastosos fluem lentos 
como seus engarrefamentos
São Paulo não é flor que se cheire
Engoliu a floresta e cuspiu concreto
Demoliu montanhas e chamou de prédios
São Paulo é sedutora!
Mil caras e bocas...
Dragão da Maldade!
Vou-me embora de São Paulo
Aqui não sou amigo do rei
nem terei a poluição como fiel companheira
Adeus, São Paulo!
Um dia eu volto para a minha São Paulo
de geografia particular e sinuosa
Tem mata, livraria e biblioteca
comida boa e barata
Tem amigos e poetas planejando 
a tomada da bastilha paulistana
Tem o dia da verdade
com microfone aberto na paulista
atrapalhando o trafego

Minha São Paulo expressa a dor
de não ser tudo que é
Começa ali na augusta dá um salto
emenda com o capão redondo
amarra todos os estádios de futebol
de todas as escolas de samba
para celebrar o dia da lingua livre
em rap, em prosa, em todos os acentos
Cantareira com os Jardins
Alameda Santos de bicicletas
Butantã na divisa com Parrelheiros
Cidade Tiradentes com Morumbi
Minha São Paulo tem novas divisas 

É policêntrica minha São Paulo

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O Futuro e a Foto


Nas fotos antigas esconde-se
o olhar do futuro
A posteriadade e seu julgamento
receios de haver desperdiçado a vida
onde os espiritos fazem fila para reencarnar 
Felicidade não tem tempo
A presença é infinita
A foto antiga é testemunha
do fotografado gravido de infinito
percebendo-se fora do tempo
Ou, atado a redemoinhos de desculpas
fugindo com o nó no peito
Coisa que o corpo ´ja sabia 
o que a alma negava

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Plano sem megabites


Mundo que cabe em um livro de fotos
escritos bisbilhotados, trechos de frases
palavras-chave para abrir o cofre
aos vendedores de tudo
Mundo terraplanado
bidimensional e guardado em celulares
Devagar eu abro a janela
destravo o cadeado
para ninguém perceber que já fui
Mandei a rede para o espaço
voarei fora do website
Plano sem megabites
fora da caixinha

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Chicos de Sudamerica


Brasil y Argentina son dos hermanos
que han peleado mucho para entender al final
que no hay ventaja en ser el mejor deste entristecido continente
Brasil vay a terapia con un psicologo argentino
Argentina se ausculta con el padre de santo brasileño

Dos hermanos perdidos de colonialismo y baja estima
Se hacen parte de la familia europeia
pero no son aceptos en el salón para cenar
Se enojan de la injusticia que han sufrido
pero la dan estimulo en las favelas

de San Pablo y Buenos Aires
donde los mismos exilados de la democracia
sueñan con el campeonato del mundo
Pero el mundo no los quiere chicos
Ojala puedes hacer un nuevo mundo allí

Hay que mirarse con coraje y sin miedo
Duele ver la verdad soterrada y aislada del pueblo
La miseria no es un arbol nativo de la Sudamerica
Hay que desvendar la trampa y emanciparse
como Cortazar, Amado, Borges y Machado

terça-feira, 18 de junho de 2019

Elegant sapiens (para Andrea)

Quem move os cordões de tua elegância?
Custou uma evolução inteira
para o sapiens ficar de pé
Outros tantos milhares de anos
para a sedução aparecer no caminar
Peixe prateado
que respira fora da água
Onça pintada
que desfila seu hipnótico gingado
Quem move os cordões da tua elegância?

domingo, 9 de junho de 2019

O Planeta Terra vai ao Astrólogo


O sistema solar é apenas uma rua
flutuando no éter sideral
uma esquina da imensa metrópole dos corpos celestes 
brilhando seus semáforos ao longe

Diante da imensa incerteza da existência
deveria existir o astrólogo dos planetas
Entidade dedicada á diminuir a angustia planetária
de vagar eternamente pelo infinito sem saber seu destino
O Astrólogo explicaria a cada planeta
o porque de todos os seus ciclos e relacionamentos
Primeiro com o sindico do condomínio: o Sol
Depois com prefeitos, chefes de sessão e encarregados dos céus

A Terra com certeza seria de signo de fogo
Seu passado guerreiro de atear fogo aos começos
necessitaria de um pouco mais de água
A leitura do mapa astral se estenderia por dias e meses
desfilando relações entre signos, eras e tempos
interligada e satisfeita a terra mais confiante
reconheceria suas tendências
para os próximos bilhões de anos

A questão agora é convencer seus habitantes
que se arrepiam do eterno retorno
que não acreditam em previsões e na sincronicidade
que estão embarcados numa nave do futuro

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Frida Kahlo




I´ve seen the land
breeding the best and strong men
I've also seen the land
making weak men too
I've seen the waters forgiving them 
overseeing how small they are
I've seen this again and again
The planet accepting their faults 
praising their tiny wins
receiving them as seeds
for a new season or for any reason
I see why Frida Kalo
just seems smaller than her Diogo Rivera
in a painting at San Francisco Modern Art Museum
I see:
his greatness is she

sexta-feira, 3 de maio de 2019

De Metal e Seda


O lenço flutuou no ar como luz e seda
A despedida era metal do trem
que ia pelo fim da tarde
carregando uma historia de amor

Quanto mais o trem caminhava
mais distante o presente ficava
Horas depois não era nada
no barulho noturno o passado chiava

Tempo de estudar na cidade grande
Sinhazinha vai ser doutora
Ricardinho tem que aprender as lidas da fazenda
Uma história pequena dissolvida no grande drama

das distâncias, das injustiças, das diferenças
Um dia sinhazinha volta...
Já é doutora com autoridade e foto
para colocar na parede junto com o diploma

Vem acompanhada do rapaz da cidade
Ricardinho sabe da novidade
Uma dor quase presente dói no passado
Tudo está certo quando nem tudo é remediado

Sinhá visita a fazenda aos feriados e domingos
Traz seus filhos que brincam com os filhos dele
Seu Ricardo é capataz da fazenda dos avós dela
Está tudo contado e pesado nos desacertos dessa vida

Só quem viveu um sonho de infância roubado
pelos trilhos de metal e seda
que atravessam o futuro no passado
vai saber cantar este mundo

No Alto da Montanha

É lento, às vezes brusco movimento, às vezes nem isso um tanto do tamanho da crise do Nepal Um filete d'água nasce do atrito de grandes ...