Pesquisar este blog

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Les chats sont complexes (à Edgar Morin)

Les chats sont complexes


Dans la somme des parties

Quelque chose saute du Tout

Est-ce plus gros que le corps ?

Est-il plus petit que l'âme ?



Cats are complex

In the sum of the parts
Something jumps out of the whole
Is it bigger than the body?
Is it smaller than the soul

sábado, 18 de junho de 2022

Fim de Feira

Quando cheguei já era tarde

os vendedores recolhiam as faixas

os gerentes faziam as contas

A maioria deles continua exposta

esperando o dia seguinte

Já disse: perdi a hora

cheguei atrasado ao lançamento

mas encontrei algo inexplicável:

o sonoro clamor abafado 

dos livros sem leitores

Todo livro espera renascer aos olhos do leitor 

para novos significados...

O fim da feira é de uma multidão de livros solitários

em frias estantes de madeira, ferro ou plástico

órfãos de leitores

esperando um novo dia

com esperança de papel


sexta-feira, 10 de junho de 2022

O mesmo planeta agora

Uma fina camada de ar 

desliza de Paris até Brasília

de Brasília até Nova York

Uma fina camada de ar nos separa do espaço sideral

Aqui, na crosta terrestre convivemos simultaneamente

Alguém caminha em Sidney

um bicicleta atravessa a rua em São Paulo

A Covid continua forte na Cidade do Cabo...

Se o mundo ficou menor que a coberta da atmosfera

o frio cósmico lá fora não mais nos agride

onde ficam os satélites...

Mas aqui embaixo a ameaça reside

onde circulam as palavras

domingo, 5 de junho de 2022

Que corrida é essa?

a cobra morde o rabo

em círculos girantes o tempo

evapora e forma nuvens

será que chove?

contai carneirinhos

contai palavras nos versos

aguenta a maratona dos segundos

o prazer quebra todos os relógios

teu troféu e recompensa

não se conta nem tão pouco se desconta

aquece a memória das noites e fogueiras

amarra tudo em tua cintura faceira

Disbunda e diz que é de Londres

teve um amante que era mágico

amou demais quem não florescia

foi cultivar em outros cantos

o canto de dentro

terça-feira, 31 de maio de 2022

Corpo

Vilipendiada criatura: corpo. Não há existência sem ele, nem sonho, nem imaginação muito menos fuga ou avanço. É no corpo e suas histórias que encontramos penduradas as histórias da humanidade. Monetizados os corpos femininos e masculinos (desnudos ou quase) sofreram um baque econômico e existencial na pandemia do coronavirus: o ideal apolíneo vendável pode ser dissolvido por um simples e sinistro vírus, uma criatura acelular, feita de um material genético flutuante. Nessa desvalorização de ativos, celebridades, e subcelebridades, esforçam-se para expor e monetizar o que ainda restou do glamour no pós-pandemia. A beleza corporal seria a prova dos nove? Um certificado de saúde inabalável? A carteirinha de vacinação? E o que dizer de jovens olímpicos, e esportistas que tombaram na batalha contra a Covid-19? Corpo: não existe existência sem ele. Desvaloriza-se a existência corporal monetizada no pós-pandemia? Seria uma pós existência viral? Grande roleta do jogo da civilização para a segunda década do milênio!

sábado, 28 de maio de 2022

An Irish heart

Everybody is the same:

a bit of rock and roll 

an Irish heart

to make your own gifts to grow

then get entrenched in the mystery 

that connect us all

To harvest something for you and others

share part of it and pray to those without it

A common blanket of hope

covers us like a fine fabric 

made of love

Computer Brains

Computer brains

They are not in sync (yet)

No network available (til now)


If imagination as one may say

it is more important than thinking

brains got more information than inspiration


Daydreaming in a labyrinthic of digital traps

Computer brains follow sad algorithms

unplugged from better lives


At least, a bit of energy each day

to recharge batteries 

of kindness


quarta-feira, 25 de maio de 2022

Tudo é mar

Tudo é mar

no universo português

A próxima onda

a inesperada tempestade 

a nova costa 

marcam o tempo

As favas com os relógios

urbanismos e cartórios

Ao mar, patrícios!

Sussurra aos ouvidos 

o coração renascentista de Camões


O novo mundo é uma atitude

não um continente

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Elon doesn't match Musk

When I listen Elon
it sounds Gump
Then I watch the film
later I listened to the podcast
It's difficult to disentangle

cartoons from reality
Forest Gump from Elon Musk
An American soft power again
one may say
Eventually, I got tired 

to understand what is there 
to appear the novelty
Elon is a cool guy
He wants to hurt anybody
He loves science and space travels

His heart looks like pure
His rhythm is energetic
He already lives in the future
Why not you and me?
He is weird but fun

Why not be like him?
There is just one Musk
but a couple of rich and smart guys
to fill up the rocket when the time comes
This is a tiny club to be reached

There is no place for me
there is no place for us
You can try to be Elon
but never will be Musk
because that joint is a venture

sábado, 16 de abril de 2022

As Águas (para Luís de Camões)

Canto I


Descer as escadas do poço ancestral

do medo ao encontro do universal

Um pouco d'água para aguentar na luta 

Celebrar a união nossa 

animará os passos ao futuro

daquilo que podia ser compartilhado ainda a disputa

germinada pelo tanatus da crise plantada

onde o sol nublado é mormaço e mais nada


Canto II


Que a inimizade não afaste a azul verdade

O poço é nosso ainda que a jornada solitária seja

Que o castelo soçobre mas que o poço jorre 

A água da minha força é também vossa

Separadas as águas abrasasse o sol

mas da reunião nossa e amiga novas nuvens serão formadas

O que se pede é pouco para que cada um ao seu destino chegue

delta onde nossas conquistas encontram as derrotas


Canto III


Que o primeiro passo da jornada seja um gole azul da água

Nela a nossa união eterna e consagrada

Mesmo distante pelos sete mares

entorpecido pelo vinho da ambição

busquei no fundo do meu poço a água que é vossa

Ir ao fundo das coisas necessário seja

para entender os kairus e os cosmos 

pois se separados estamos seja a água a grande aliança


Canto IV


Eterno e profundo é o poço e sua verdade

Da pouca água do meu corpo possa ser encontrada a vossa

Não nuble a consciência o sol do desejo intenso

da separação de amigos e convivas

não impeça meu barco de recolher naufragas alegrias

Que a luta ainda quase finda e falta pouco para desaguar na vitória

Em nossas águas recordemos o oceano ancestral dos encontros

Não nos permita o medo de evitar tempestades


Canto V


Se bom navegador sou 

levarei a caravela nossa a mares desconhecidos

Celebraremos nossa união e força

em taças da mais puro água

para animar a luta e suas reviravoltas

De cada conflito surje uma nova nascente

que cura e limpa as feridas

de ambições solitárias e desmedidas 


Canto VI


Que essa ilha de desejos e seus rochedos não nos ponha receio:

enfrentar desafios é da nossa história e gênese

Celebrada em mares calmos de alvas praias

ainda que a cada um seja dado a própria água

o sol abrasador da cobiça seca os versos 

O futuro convida a descer por rios novos e vertentes

para além das inevitáveis separações

que as corredeiras sacudam as falsas verdades


Canto VII


Que eu não tenha receio como Camões de ir á África e a Ásia

na busca daquela verdade última para finalizar a jornada

Que a ansiedade da vitória não impeça a esperança nova

Ao chegar já recebo novo convite pois a água não para

Que a separação de hoje seja riacho do amanhã

Celebremos nossas águas no caudaloso rio da história

A utopia minha é vossa e vossa água é nossa

Somos marés de mudança, somos ondas




Potiguar

A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...