Em algum ponto
entre o norte e o sul
um belo rio
entre meandros e ilhas varias
vaza na planície
sob a luz do crepúsculo
que traz algum descaço
após o açoite solar
Em algum ponto
entre o norte e o sul
um belo rio
entre meandros e ilhas varias
vaza na planície
sob a luz do crepúsculo
que traz algum descaço
após o açoite solar
Vejo meu coiote escondido
entre as nuvens
vaporoso, e na tocaia
a quase dez mil metros de altitude
Quando criança eu via carneirinhos e elefantes...
O mundo pode ser perigoso
Italo Calvino, o grande autor italiano
em seu livro "Cidades Invisíveis"
poderia ter dedicado um capítulo a Natal:
a cidade das dunas
onde os moradores soltam ao crepúsculo
balões de memórias e ar quente
sonhos inconclusos e belas imagens
Os ventos Alísios os levam
Sobre a linha do equador são calcinados ao sol
Os habitantes são vizinhos da natureza
Dunas maiores que edifícios
praias maiores que rodovias
O sonho da cidade grande é devaneio
Alguns ainda buscam no horizonte
as caravelas de Cabral
que aqui aportaram ha cinco séculos
à caminho de um Porto Seguro
Outros esperam a próxima guerra mundial
para mostrar as capacidades militares da cidade
Distante quatro horas de Dacar
Sete de Lisboa outras 4 quatro de São Paulo
Natal vai de avião para futuro
abraçada em seu passado geológico
Qual sua renda per capita?
Os natalenses têm indice de natureza
Pessoas com o eu oceânico aflorado
vão dar certo em Natal
Pessoas cujo passado ancestral
insiste em assombrar o presente
vão se dar muito bem em Natal
Onde havia uma rica civilização de corais
surge uma cidade vibrante
com um tempo marcado de vida
até que o mar soberano retorne
ao seu leito original
Duas Formas de Correr
Um certo homem e sua esposa ciumenta
e uma jovem criada de sedutora beleza.
A esposa era cuidadosa em nunca deixá-los a sós.
Por seis anos, nunca ficaram sozinhos
nem por um instante.
Mas um certo dia na casa de banho
a esposa, de súbito, lembrou
que tinha deixado em casa sua saboneteira de prata.
“Por favor, vá pegá-la”, disse à criada.
A moça iluminou-se e jogou-se apressada à tarefa
pois aquela era a deixa para estar a sós
com seu patrão.
Ela voou.
Ela correu tomada de alegria
e o desejo os abraçou tão rapidamente
que mal encostaram a porta.
Com grande velocidade eles se uniram.
Quando os corpos estão em cópula
os espíritos se unem.
Enquanto isso, a esposa na casa de banho
lavava os cabelos com argila:
“O que eu fiz!
Coloquei o algodão e a lã no fogo!
Juntei o carneiro à ovelha!”
Ela lavou o sabão do cabelo e correu
ajustando o véu na jornada.
A criada correu por amor.
A esposa, consumida pelo medo e pelo ciúme.
Aqui jaz uma grande diferença.
O místico voa de momento a momento.
O asceta temeroso se arrasta de mês a mês.
Mas, para o amante, o dia
poderia durar cinquenta mil anos.
Isso não pode ser entendido com a mente
É preciso resplandecer!
Para o amante, o medo não é nada
uma pequena linha de costura.
O amor é uma qualidade de Deus.
O medo é um atributo
de quem acredita servir a Deus
mas está na verdade
preocupado com pênis e vagina.
Você já leu nas escrituras:
“Aqueles que o amam se tornam um com ele”
Esses amores são qualidades do divino.
O medo não.
O que há em comum entre Deus e os homens?
O que conecta o que vive no tempo e no eterno?
Se eu continuasse a falar de amor
mil combinações aconteceriam
e ainda eu não revelaria o mistério.
O asceta medroso corre a pé pelo caminho.
Os amantes saltam como o relâmpago e o vento.
Não há comparação
Teólogos murmuram e fazem estrondo
necessidade e livre-arbítrio
enquanto o amante e o amado
se entrelaçam
um ao outro.
A esposa aflita chega à porta
e a abre.
A serviçal descabelada, perdida, rubra
sem palavras.
O marido começa a oração pela quinta vez.
A esposa penetra na cena agitada.
Como quem prova roupas
o marido levanta bordas e pontas.
Ela vê os testículos, o pênis molhado, o sêmen
pingando e escorrendo os sucos de prazer
encharcando as coxas da criada.
A mulher dá-lhe um tapa
na lateral da cabeça.
“É assim que um homem reza com as bolas?
Teu pênis pulsa por uma união assim?
Esse é o motivo para as pernas dela
estarem cobertas dessa coisa?”
Estas são boas perguntas
para se fazer ao marido "asceta"!
Pessoas que renunciam ao desejo
às vezes se tornam de súbito
hipócritas!
Two Ways of Running
A certain man had a jealous wife
and a very, very appealing maidservant.
The wife was careful not to leave them alone,
ever. For six years they were never left
in a room together
But then one day
at the public bath the wife suddenly remembered
that she'd left her silver washbasin at home.
"Please, go get the basin," she told her maid.
The girl jumped to the task, because she knew
with the master. She ran joyfully.
She flew,
and desire took them both so quickly
that they didn't even latch the door
With great speed they joined each other.
When bodies blend in copulation,
spirits also merge.
Meanwhile, the wife back at the bathhouse,
washing her hair, "What have I done!"
I've put the ram in with the ewe!
She washed the clay soap off her hair and ran,
fixing her chador about her as she went.
The maid ran for love. The wife ran out of fear
and jealousy. There is a great difference.
The mystic flies moment to moment.
The fearful ascetic drags along month to month.
But also the length of a "day" to a lover
may be fifty thousand years!
You can't understand this with your mind
You must burst open!
Fear is nothing to a lover, a tiny piece of thread.
Love is a quality of God. Fear is an attribute
of those who think they serve God
but who are actually
preoccupied with penis and vagina
You have read in the text where They love him
blends with He loves them.
Those joining loves
are both qualities of God. Fear is not
What characteristics do God and human beings
have in common? What is the connection between
what lives in time and what lives in eternity?
If I kept talking about love,
a hundred new combinings would happen,
and still I would not say the mystery.
The fearful ascetic runs on foot, along the surface.
Lovers move like lightning and wind.
No contest.
Theologians mumble, rumble-dumble,
necessity and free will,
while lover and beloved
pull themselves
into each other.
The worried wife reaches the door
and opens it.
The maid, disheveled, confused, flushed,
unable to speak.
The husband begins his five-times prayer.
The wife enters this agitated scene.
As though experimenting with clothes,
the husband holds up some flaps and edges.
She sees his testicles and penis so wet, semen
still dribbling out, spurts of jism and vaginal juices
drenching the thighs of the maid.
The wife slaps him
on the side of the head,
"Is this the way
a man prays, with his balls?
Does your penis
long for union like this?
Is that why
her legs are so covered with this stuff?"
These are good questions
she's asking her "ascetic" husband!
People who renounce desires
often turn, suddenly,
into hypocrites!
Como é possível observar
o que é observado e ser o observador?
Enquanto refletia sobre as teorias da seleção natural
esperava uma carona ao cair da tarde
Súbito recebo um esbarrão distraído
de um cego e sua varinha de condão
A realidade não é apenas material
ela é quântica e informacional
Outro acrescentaria: vibracional
Outro esbarrão, outros autores, disputas
De atritos e encontrões
a ciência vai recolhendo os cacos
colando-os com filosofias
o que nem Darwin imaginava da evolução
que nem Marx percebeu das transformações
Cegos caminhamos
com nossas varinhas de cognição
Aqui e acolá
obstáculos e iluminações
pois nem sempre é quase
mas nem quase é certo
De fragmento em fragmento
desvendamos nas contradições
os mistérios da criação
quero desvendar
os misterios do meu corpo
utilizando-o como metro
microscópio, reagente e laboratório
meu desejo é redescobrir
saber do mistério de existir
tomei essa decisão ontem
a investigação tem de ser multi
diria inter ou transdisciplinar
vou usar este corpo como ferramenta multi-uso
de análise de tudo o que não é corpo apenas
é fogo, fagulha, labareda do destino
os resultados da análise vou tatuar no corpo
para sentir pela primeira vez
á flor da pele
a verdade
nos pedem sempre
para entender o ponto de vista
da outra pessoa
não importando o quão
fora de época
tolo ou
deplorável.
alguém recebe o pedido
para ver
seu erro crasso
suas vidas desperdiçadas
com
benevolência,
especialmente se eles são
idosos.
mas a idade é a totalidade
de nossa praxis
eles envelheceram
mal
porque viveram
fora de foco
eles se recusam
a ver.
não é culpa deles?
de quem?
minha?
me pedem para esconder
minha opinião
deles
por medo
do medo deles
idade não é crime
mas a vergonha
de uma deliberada
vida
desperdiçada
entre tantas
deliberadamente
desperdiçadas
vidas
é
O galeão da empresa holandesa Vanord
é recebido com festa pelos nativos da Ponta Negra
O
mar ameaçador subia sem controle
em
golpes de ondas sobre a costa indefesa
A
embarcação europeia recém-chegada
traz
a boa nova:
será
abrasado e controlado
O
mar será acalmado de vez
com a areia da própria praia:
cavando de um lado
o
que faz falta do outro
(Os galeões vão para as guerras
tem 4 mastros
transportam grandes cargas
As caravelas são menores e rápidas)
Alta noite, os natalenses dormem
O galeão enche os porões de areia
Terríveis
máquinas dragam o leito macio
da
praia indefesa e ancestral
"A
Ponta Negra engordada e reformada
será
o início de uma nova vida"
Bradam
os líderes locais
"Natal
será a nova Amsterdã"
"Calem
os pessimistas"
"Calem
os filhos de Câmara Cascudo"
A
nau holandesa esconderia segredos?
Seriam
apenas bons forasteiros
dispostos
a nos ajudar?
Em
1942, os Norte-americanos aqui estiveram
deixaram
uma bela Parnamirim field
alguns
filhos, memórias da guerra e se foram
O
mar, o mar
O
mar crescia e assustava
mas
era a cidade que avançava sem parar
Agora será diferente
Vai dar certo!
Da
praia renascida
surgirá
uma nova cidade praiana
de onde
jorraram camarões e castanhas
do
alto dos arranha-céus
Será
a mais bela vista do Morro do Careca
cada
vez mais careca
Os marinheiros holandeses observam:
"Como
os nativos ainda caem nessa
depois
de quinhentos anos?"
O
mar vai subindo por todos os lados
As cidades avançam por todos os cantos
Os
holandeses continuaram a vender
soluções espelhadas a la carte
para
contradições escondidas
debaixo
das areias da praia da Ponta Negra
Então você quer ser um escritor
Se isso não é um trovão que atravessa você
apesar de tudo e qualquer coisa,
não faça isso
A não ser que isso tenha sido
perguntado pelo seu coração, mente e boca
e seus intestinos,
não faça isso
Se você ficar sentado
horas a fio olhando a tela do computador
ou curvado sobre a máquina de escrever
pescando palavras,
não faça isso
Se você quer fazer isso por dinheiro
ou fama,
não faça isso
Se você fizer porque quer
mulheres na sua cama,
não faça isso
Se você sentar
para reescrever de novo e novamente,
não faça isso
Se é um trabalho árduo pensar em fazer,
não faça isso
Se você quer escrever
como outra pessoa,
esqueça
Se você tem de esperar o rugido
dentro de você
espere pacientemente
Se isso não rugir em seu ser,
não faça isso
Se você tiver de ler isso para sua esposa
ou sua namorada ou namorado
ou seus pais ou quem quer que seja,
você não esta pronto
Não seja como tantos outros escritores
Não seja como as milhares de pessoas
que se auto denominam escritores
Não seja chato, pé no saco
pretencioso
Não se consuma em sua auto-estima
Livrarias de todo o mundo
bocejam
dormem
com escritores assim
não seja mais um,
não faça isso
A não ser que isso venha da sua alma
como um foguete
A não ser que isso
possa levar você a loucura
ou a matar ou morrer,
não faça isso
A não ser que um sol dentro de você
queime seus intestinos,
não faça isso
No tempo certo
e se você for escolhido
isso se fará por si mesmo
e continuará a fazê-lo
até que você morra ou isso morra em você
Não existe outra maneira
Nem nunca existiu
So You Want To Be A Writer
if it doesn't come bursting out of you
in spite of everything,
don't do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don't do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don't do it.
if you're doing it for money or
fame,
don't do it.
if you're doing it because you want
women in your bed,
don't do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don't do it.
if it's hard work just thinking about doing it,
don't do it.
if you're trying to write like somebody
else,
forget about it.
if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.
if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you're not ready.
don't be like so many writers,
don't be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don't be dull and boring and
pretentious, don't be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don't add to that.
don't do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don't do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don't do it.
when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.
there is no other way.
and there never was.
I came really close that time:
California was just in my hands...
92 Nobel prize winners!
Maybe I can snag one
bring it home
Imagine my dad
finally bursting with pride
not over some small dreams
No! That was big
That was Berkeley, San Francisco
where I’d wipe away
every trace of dirt
every misstep
But then I blew it
Not even close I got to a PhD degree
Back to Brazil my holy land
back to the history of my home
After a couple months in the south
I returned the right way to California
but to a world alive in it
to work with so many cultures
stories about the true California
finally in my hands
What a hell of a journey
MIT, Harvard, UC
became faded old dreams
My reality became somewhere else:
Egypt, Austria, France, Bolivia
United States, Uruguay, Argentina...
Peru in the Sacred Valley
where I learnt
to accept life as a gift
Yet, here I am
loving what I love
thinking
researching
lecturing
biking
dancing
organizing
dreaming of a better world
just because I want to
Am I zen?
I’ve always been a bit different
I went to grab some bread from the bakery
three guys jumped on me
took my money and clothes
I came back home in my underwear
I was just 10
They tried to take hope from me
They tried to steal my dignity
snatched away my great vision
What a hell of a journey
I’m here
loving to read the poets
letting my soul flow down
rivers of images and sounds
I will do it all again
Dear Nietzsche
Are you listening to me?
I’ll do it again and again
I’ll live this forever
That’s my journey
not better that I am
impossible to be less
Just my love
pulsing like a little bird
craving to fly again
A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...