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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Comprar e não levar

Não recebi solidariedade
Nem igualdade
Um pouco de democracia
votando no candidato da alegria
Não recebi asfalto
embutido no carro
nem amor
no beijo ensaiado

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Brasília

Aterrisam na terra ácida
asas utópicas e planos abertos
traçam pontos de fuga e arestas
verdades em baixo da saia do concreto armado
perspectivas que recortam o cerrado
Diz que vai alçar voô apesar das amarras
Diz que é a beleza alimenta a alma
Tudo que é sólido desmancha no céu de Brasília

Tempo Extraordinário


Eu queria tudo
Não tinha nada
Tudo pesava
O nada doía
De nada, dizia
De nada, seguia
Sonhava com tudo
Comprava mudo
o tempo o senhor absoluto
“Time is money”
A vida ofereceu-me a antítese
“Money is time”
Eu queria todas as coisas
para fazer silêncio
Para não ter que ter
o tempo que nada tem
Queria aquilo que tem em tudo
Respirar o tempo deste mundo

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Móveis

Um corpo
cruza a sala
outro lava pratos
esse que passa sorri
o dia passa entre objetos
coisas que observam e esquecem
outras leves quase ausentes
Uma casa de móveis antigos
mobiliam as almas

sábado, 9 de abril de 2011

Praia Vermelha

Caco verde de vidro cortante
Pedra polida na areia da praia Vermelha:
Arredondar arestas é da natureza da natureza

(ad)mirações

Muito concentrado passa o passarinho
Minha alma...
(voando de bicicleta)
lhe faz companhia por um instante:
‘Não posso parar para ser visto, hora do almoço’
‘Não vês que tenho responsabilidades’
‘Não tenho tempo a perder com admirações’
Urgência de passarinho na alma

this second is mine

this second is mine
there is an infinite in it
this second is mine
a next one is far away to find
my being dissolved in others, in things
A joy travels my soul instantly
I invite my memories and wounds to fly
this millenium is mine
I invite my ancestors to smile

De braços abertos

O navio Anatoli atraca no porto
o Airbus de Nova York ou do Japão pousa
junto chega o caminhão de sebo
naquela antiga rua do centro
Mas o que defini a cidade
é o que está fora de controle:
Os trens, os tomates, barcos e jornais, os valões
os escritórios, a mulher do vizinho, a igreja
os biquínis, as rodas de samba, a cocaína, Ipanema
a igreja, as alfaces, a feijoada e Copacabana
as ladeiras, os corpos no lixo, as bancas de frutas
O Cristo Redentor de braços abertos
no Corcovado rogando por nós
cariocas do Rio de Janeiro

paciência infinita

Fazem edifícios, elevados e pontes
Criam-se tuneis e automóveis
O cara de cão e o da Urca se divertem
com paciência infinita esperam a próxima novidade
São tolos os humanos?
De maneira nenhuma
só não sabem que os morros do Rio estão vivos

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Holly Baixada

Não existe e não dá ibope
o ter, o ser e o morar na zona norte
Do avião a pequena faixa ensolarada
segue sitiada no imenso abraço apertado
Entre barricadas e check-points
olhos eletrônicos da Mossad carioca
reconhecem vigàrios, mendanhas e bangus
Dorme baixada!
sonha-se sinhã de cem escravos
Desperta baixada!
um outro lado da verdade espera
sabe que tudo é muito
mais que zona sul

Potiguar

A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...