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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

RIO/CUZCO/RIO

O puma é o corpo da cidade de Cuzco
mas é no corcovado que o condor voa mais leve...
A serpente vai aos céus do espirito
aqui ela rasteja e sobe nas árvores
serpenteia nas areias sem fim
O Puma carioca é fêmea
ela gosta de lamber o próprio pelo
agrada-lhe ser adornada com latenjoulas

Por lá, tudo que se vê 
se rima em quechua
A favela inventou um samba com mais ritmos
que o vento esculpindo o gelo do vale sagrado.
A capital do império Inca
com adobes fundados em rochas
encaixadas com graça e jeito
alegra-se de sua alegre irmã, o Rio de Janeiro

Se uma caiu aos pés de Pizarro 
pois esqueceu-se de celebrar com todos
as delicias da papas e das chichas
A outra resiste à passagem temporária
dos adoradores do ouro que insistem em esburacá-la
e colocar abaixo seus antigos casarões, igrejas e morros

O artesanato de lá é colorido
cores e texturas da montanha:
flores, bichos e gentes
entrelaçadas entre os fios da lhama 
As fantasias daqui escondem e revelam
as estórias de amor, o tecido coletivo do carnaval
Quando o deus Pachacute desposou a bela Pachamama
entre os após da Pedra da Gávea e do Pão de Açúcar
nasceu a cosmovisão de um mar que tudo abraça
e ladrilha o calçadão de Ipanema.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A menina e o besouro (para Rafaela, 7 anos, minha sobrinha)


O brinquedo é novo!
Pernas encaixadas no corpinho
que brilha, querente
Ela sorri com os cabelos
seus olhos estelares
revelam mundos distantes
O besouro brinca lentamente
criançando planos sob a dura carapaça
A menina brinca animadamente
embesourando os desejos sem fim
que um dia voarão...
Um é a imaginação do outro

sábado, 15 de outubro de 2011

Primavera em outro planeta (primeiro poema de Pedro, meu sobrinho, 9 anos)


Em nosso planeta a primavera é muito longa
Nossos sete sóis batem muito forte
mas nossa pele é muito poderosa

Muitas vezes nessa estação
nossas flores carnívoras devoram
as árvores

Nessa época tem doce
de casca de "Troll" gigante
que é uma raridade encontrar
Nós dançamos quatro noites

Gostamos de passear
nos campos de larva fervente
As borboletas de sete asas
cobrem os céus com piruetas

domingo, 9 de outubro de 2011

Paraíso (para Sel)

valei-me Deus!
nas trilhas dos caramujos
atrás dos passarinhos
subindo em árvore
derrubando fruta
que é bom destino

cade meu coração?
lá fora jogando bola
atrás de pipa
gazeando escola
subindo em muro
colhendo rosas

minha virgem Santíssima!
viajou para a Europa
nos livros de história
apaixonou-se pela holandesa
mas gosta da japonesa
foi comprar pão e diz que é rápido

uma hora dessa?
coração descompassado
enfim, o abraço apertado
conta as aventuras
omite loucuras
cantarola cordéis de Pasárgada



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Milagre

o pouco oferece uma liberdade
é o pequeno que encontra o único
nada que ofenda ou subtraia
fazer pouco ser muita poesia
a pequena parte
o basta
o grão para cada qual

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Comprar e não levar

Não recebi solidariedade
Nem igualdade
Um pouco de democracia
votando no candidato da alegria
Não recebi asfalto
embutido no carro
nem amor
no beijo ensaiado

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Brasília

Aterrisam na terra ácida
asas utópicas e planos abertos
traçam pontos de fuga e arestas
verdades em baixo da saia do concreto armado
perspectivas que recortam o cerrado
Diz que vai alçar voô apesar das amarras
Diz que é a beleza alimenta a alma
Tudo que é sólido desmancha no céu de Brasília

Tempo Extraordinário


Eu queria tudo
Não tinha nada
Tudo pesava
O nada doía
De nada, dizia
De nada, seguia
Sonhava com tudo
Comprava mudo
o tempo o senhor absoluto
“Time is money”
A vida ofereceu-me a antítese
“Money is time”
Eu queria todas as coisas
para fazer silêncio
Para não ter que ter
o tempo que nada tem
Queria aquilo que tem em tudo
Respirar o tempo deste mundo

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Móveis

Um corpo
cruza a sala
outro lava pratos
esse que passa sorri
o dia passa entre objetos
coisas que observam e esquecem
outras leves quase ausentes
Uma casa de móveis antigos
mobiliam as almas

sábado, 9 de abril de 2011

Praia Vermelha

Caco verde de vidro cortante
Pedra polida na areia da praia Vermelha:
Arredondar arestas é da natureza da natureza

A Capoeira convida

Capoeira convida  Aflorar na pele Aquífero escondido para dentro da vida Convida a gingar milhares de anos nos segundos da finta Revirar a a...