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domingo, 30 de abril de 2017

Belchioranas

Elis se foi e agora Belchior
Acidentes geográficos demarcam o caminho...
A montanha da Urca e o Corcovado tomam nota
É muito ou pouco na vida de um homem
Latino americano, surpreso, culpado, com medo, caminho
O tempo e os relógios se repetem
Quase meia noite ou 1 da manhã
Ou, serão 10 da manhã?
Meu corpo é um relógio mudo
Passa o tempo, passam as revoluções
os retrocessos e as santas regenerações
para que as coisas no caminho
tenham cor de amizade e risada na cozinha
Milhares de cozinhas saboreando o passado
Latino America ainda não tens o direito de ter memória
Chamam-te eternamente jovem
Escrava envelheces na escravidão
A juventude de teu sofrimento inspirará os cantantes
Sejam os teclados dos computadores as teclas dos pianos
os couros todos e as orquestras tocando belchioranas ao luar
levando alento e ritmo à tua busca de felicidade

domingo, 19 de março de 2017

Inominàvel

Se cada um fala do mundo
como se todo o mundo falado fosse
de um, de uns, outros e todos
Toda lingua nomearia o arco-iris
do jeito que falam as cores
Multiplicam-se as trocas
escambos de sonoras palavras
Semeiam-se conflitos sobre a essencia das coisas
Sela-se a paz com uvas e vinhos
Cada lingua particular destino de nomear
a vida inominàvel

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A velha máquina de lavar

O calor do forno
o bolo que já vai sair
Até o barulho da velha máquina de lavar
é musica instrumental
uma batucada de ritmo familiar
Família é um campo magnético
cultivado de reciprocas sinergias
Eu vejo música, eu ouço belezas
e dou risadas dos silêncios
que desabrocham dos seres familiares
incluindo os objetos e os bichos
Eu poderia falar do multiprocessador Wallita
Não é um Brastemp
mas é uma persona encantada na cozinha de minha mãe
Assumo o papel que era de meus pais
fazer-me sentir bem no meu próprio corpo
Fecho a porta deste universo particular
a casa de minha infância
e vou caminhar na lua

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Praça

Subitamente, uma praça

Um pai correndo atrás do filho de 5 anos

Um paço criado pela frondosa sombra das árvores 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Homo urbanus

O esqueleto jazia no carro do trem
anguloso, esquálido erígido 
sustentando seu Homo sapiens

O esqueleto não se parece
com a caverna fumegante de quatro rodas
É condor metálico de duas e uma vontade
de pedalar fantasias e  estórias

Centauro das reentrâncias do mundo urbano
escorre pelas vielas e becos
o novo Homo urbanus 
movido por sonhos ciclicos e direitos á cidade

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A nuvem

A nuvem não queria ser vista
seu supremo desejo era sublimar o insublimável
ser indivisível e tão mais leve que o ar
que faria companhia as brumas invisíveis da lua
que só os poetas avistam
A nuvem queria não ser nuvem
queria ser apenas leve vapor 
inspiração para alçarmos voo
A nuvem queria ser invisível
para ser unanimemente presente

Criançamento

A incrível contribuição de todos os erros
na caminhada rumo a infância do espírito
Caminhamos e envelhecemos
rumo a completude da incompletude
ao criançamento da maturidade
Enfim, estamos de mãos vazias
Tudo que existe debaixo do céu
é feito de nuvens e ar
Encham os pulmões e construiremos a vida
a partir do pó de nossos ancestrais
A passagem é rápida
muito fugaz é o tempo
esquecida a memória
Fizemos isso e aquilo
fomos responsáveis pela construção
do que em breve será matéria de desconstrução
Eu, você e nós já teremos ido 
rumo á leveza da existência

Tempo de enraizar

A gente querer a gente quer
A querência nossa em nós parece bela
Uma praia azul com coqueiros
por vezes, o outro fica sem lugar
Querência que inclui quereres outros
rima com diversidade de destinos
Meu pai se foi no vento no exato momento
que seu querer não encontrou solo nem rio
para enraizar e crescer neste mundo
Foi fluir no mundo do verbo
para enraizar nos meus sonhos
A tarde de inverno despede-se
acena como orquídea
na mão de um menino que flutua
dentro de um velho

Karma

Passar o passado a limpo
bem lisinho
Cada rusga mal passada
se multiplica na máquina do tempo
Passado que insiste em estar presente
Antigo inimigo
Quem te viu, quem te vê
Reconhece os frutos do infortúnio
Os doces chegam tarde na hora certa
quando vêm de livre de espontânea vontade
chegam transformados e transformando
Eu juro que vou viver 
o eterno retorno do passado renovado
O futuro será bem plantado
no meu karma

Potiguar

A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...