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terça-feira, 28 de abril de 2020

O Sol

O sol em mim quer brilhar
quer sentir-se calor
O sol em mim quer queimar
brilhar para ti, para nós

depois da noite fria
aquecerá os anseios do mundo
O sol em ti, em nós
quer esquentar o passado

em banho maria para fazer
um futuro para todos
O sol há de ficar aqui
depois de mim, de nós

Sobrarão no céu estrelas
astros guiarão caminhos
O sol leva vidas inteiras para atingir
a temperatura dos sonhos

terça-feira, 21 de abril de 2020

Sessentona

Aos sessenta anos Brasília está naquela fase
de fazer plasticas e retrofits
Alterar planos originais, convenções
liberar-se da cidade modernista

Assumir-se contemporânea
Brasília não quer mudar
mas florescer pluriapta, multicêntrica
numa dinâmica novidade

aberta ás novas experimentações
ás soluções democráticas
Mas tem gente que se acha
mais brasiliense do que os outros

que vivem, trabalham e estudam
para reconstruir Brasilia
à sua imagem e semelhança
Tem gente buscando espelhos

A cidade fica encabulada
em meio a tantos reflexos e desejos
Brasilia é de quem sentir primeiro
amor por essas mal traçadas linhas

de concreto e asfalto
Quem gostar de desenhar paisagens
de imaginar o cerrado no futuro
vai se ver em Brasília

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Señor Tortoni (para Andrea Leme)

Ciudad de Buenos Aires
Buena de vivir, buena de morrir
del amor, de la alegria
mas tambien de tristeza y solitud
Senhor Tortoni acompaña la visita
por las cajes de  la ciudad
sus bares, cafés y espetaculos de tango
vielas, esquinas y mausóleos...
Emociones verten del Rio de la Plata
la lucha por la liberdad
el llamado de la tierra
la vocacion austral
para celebrar cielo y mar
desde de la orillas de un rio 
con sonidos ancestrales...
Ciudad de Buenos Aires
Buena de vivir, buena de morrir

quarta-feira, 25 de março de 2020

Versos Pandêmicos

I

ruas vazias
lotadas de medo
pessoas trancadas
exiladas na dúvida
enviam anseios
às cidades desertas


II

Esperar pelo fim
como se toda a vida
coubesse em um dia eterno
Como nos segmentos de Euclides
explorar recônditos infinitos
reentrâncias das almas
mínimos detalhes do corpo
Reinventar sonhos
degustar o silêncio deste ostracismo viral
viralizar essa solitude vital


III

Meu sonho chorava de impotência
de injustiça sobre homens e mulheres inocentes
a natureza vilipendiada
Meus humanos limites celebram
a consciência humana:
sairemos juntos da pandemia
ou não sairemos do pesadelo
mesmo que o vírus cesse
e as barreiras se levantem


IV

De uma hora para outra
de um instante para este
a coisa crescia tal erva daninha
enquanto as luas de Saturno
faziam seu trabalho circular
O isolamento era nosso conhecido
a velocidade atenuava o vazio
Sob controle
sob as estritas regras de segurança
sob os desígnios de Deus
até que o invisível surgisse
das profundezas do real
para nos assombrar de natureza


V

Isolados descobrimos
um lugar onde não éramos eternos
A morte era servida
homeopaticamente aos privilegiados
em doses fortes aos vulneráveis
Agora golfinhos passeiam
pelos canais da nossa Veneza abandonada
Chineses serão salvos da poluição
Pássaros cantam nas avenidas de São Paulo
Isolados de nós mesmos
ganhamos um precioso tempo de nós mesmos


VI

"Quem quer dinheiro?"
"Vem trabalhar por ele!"
"Quem quer dinheiro?"
"Dou-lhe uma, dou-lhe duas..."
"Quem quer dinheiro?"
"Vai ficar com medinho do vírus?"
"Quem me dá dinheiro?"
"Eu não vou trabalhar":

Vai tu, ele, vós, eles
mas eu não vou


VII

Isolados do grande mal
à mercê do vírus mortal
que retira de nós a vitalidade
prima irmã da felicidade
somos o inferno dos outros
No alto da montanha
eremita resoluto medito
antigas tragédias e fraquezas:
aceito a responsabilidade


VIII

Á cada crise seu herói
Do espaço sideral surgiu o Super-Homem
para debelar a grande depressão
O Capitão América carregava a promessa
da vitória na segunda guerra mundial
A guerra fria (ou quente) liberou do inconsciente
o Homem-Aranha travestido de pacato cidadão
Na pandemia global os heróis lavam as mãos
diante do mal invisível e onipresente
Agora é hora da humanidade
despertar seus poderes planetários


XIX

A carta da morte ronda
bate na porta
Chegou a primavera mais dura
na conjunção de Plutão e Capricórnio
A carta da morte revela
aperta a campainha do ser e pergunta:
tempo de florescer ou perecer?


X

"Calma já vai passar"
"O que não nos mata fortalece!"
A pandemia mata muitos
nos deixa sem ar
No ritmo frenético da internet
a velocidade nos achata
da cozinha até a longitude da sala
do quarto até a latitude do banheiro
Na nossa casa comum
cada um leva endereço no corpo
número de telefone na alma


XI

O homem mais poderoso
se deitará em uma cama
parecida com a minha e a tua
A mulher das mídias enrolada de toalha
não é diferente daquela que te secas
Um pente, uma escova de dente
objetos comuns nos aproximam além do medo
Uma cadeira, um prato de comida
Muito além do luxo
da qualidade do algodão do Egito
do sabor iniqualável dos tomates da Toscana
vou dormir esta noite como um pôr do sol
filho do planeta, irmão teu


XII

Vou a Paris!
Não irei nem amanhã nem depois
Passaria por Budapeste
seus monumentos estão fechados
Admiraria Copenhagen
as bicicletas estão trancadas
As ruinas romanas visitaria
interditadas desde maio
Ao lado de Brasília
banhar-me-ia na cachoeira do Itiquira
onde Ferdinand Cruls se refrescou em 1892
Guardado exploro a geografia das emoções
metamorfose de casulo
Nos meandros de meu espírito
encontrarei o caminho do novo mundo


XIII

A natureza gastou um bom tempo
para me tirar das cavernas
Outro tanto para me exilar
entre quatro paredes
Ainda o mesmo dilema:
caça ou caçador?
O jardineiro em mim busca
muito além do jardim
onde vou me encontrar








domingo, 1 de março de 2020

Entropia Poética

A vida que é técnica
de fazer festa nas pedras
poesia nas nuvens
metafísicas nas físicas
A vida essa doidivana 
acelera o tempo
coloca fogo em Roma
depois descansa mineral 
nos sonhos

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Notable Encuentro (para Cecilia Milesi)



Argentina venia por la calle a pedir dinero

La socióloga que estaba pasando allí le preguntó:

"Dime, de quanto necesitas..."

Argentina se puso por un rato pensativa:

"Veinte, docientos, dos mil...lo que sea..."


Contrarrestó la socióloga con ojos graves:

"Argentina puedes ser todo lo que quieras

solo que tienes que saberlo"

"Es fuerte, creativa, sensible e inteligente"

Argentina de golpe hinchó el pecho


declamó un lindo poema que unía este y oeste

sur y norte en un grand abrazo silábico

Ubicó todos sus pueblos

originarios y llegados de lejos

en un solo verso infinito


que ha hecho un eco

que traspaso el pasado y el futuro

"Y este poema no vale nada"

Suplico Argentina ya descontenta

con la socióloga que parecía más una psicóloga


de las naciones que todavía tienen que descubrirse

Respondió con cariño maternal:

"En verdad, tienes todo aún que no tienes la consciencia"

Argentina se fue bajando por la calle de su historia                      

sonriendo sus dientes de plata

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Da História das Uvas

Se essa fosse a última vez
que as uvas me oferecem seu suco
eu recordaria como agora
o que me é presenteado
Um legado de terra, sol e chuva
parreiras ondulando ao vento numa tarde de outono
enquanto o açúcar vai do sonho ao sumo
para compartilhar a incrível história das uvas
da qual faço parte agora e para sempre

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Los Poetas y Los Sabios

Hay aquellos que no satisfechos
del increíble regalo que es su vida
quieren como los poetas
seguir en la piel de otros
vivir otras historias
sentir lo que é ajeno de su corazón
sea en el pasado o el futuro
Pero hay estos que miran sus vidas
al microscopio con sus infinitos detalles
Satisfechos que son sin filosofía o ciencia
desfilan su dávida en las calles de Buenos Aires
Estos son la inspiración primordial de los poetas
Ojalá! la ciudad haga los encuentros singulares
de estos con aquellos

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Buenos Aires

Buenas tristezas para todo
que podría pasar y no paso Las desgracias que todavía pasan pero haberia de tener otra vuelta otra oportunidad de pasar bien
Buenos Aires é un mar de deseos un aljibe donde las aguás llegan Unas caen como lluvia refrescante otras como pesadas tormentas Buenas tristezas se aremolinan en las plazas entre pájaros y memorias
Buenos Aires sigue en el cielo de posibilidades infinitas
Una red lista para peces de belleza y esperanza

Sudamerica

Y la envidia del Europa

produzco solamente lo peor en nosotros:

La basura barbara

La racionalidad toxica

La arquitectura de piedra

Los generales sin corazón

El perdón del amor

mira todo que allí paso

incluso el sangre que tizna

de rojo nuestras aguás

y vive en nuestras venas

planteando todavia el increíble sueño

de una civilización sudamericana

No Alto da Montanha

É lento, às vezes brusco movimento, às vezes nem isso um tanto do tamanho da crise do Nepal Um filete d'água nasce do atrito de grandes ...