Vilipendiada criatura: corpo. Não há existência sem ele, nem sonho, nem imaginação muito menos fuga ou avanço. É no corpo e suas histórias que encontramos penduradas as histórias da humanidade. Monetizados os corpos femininos e masculinos (desnudos ou quase) sofreram um baque econômico e existencial na pandemia do coronavirus: o ideal apolíneo vendável pode ser dissolvido por um simples e sinistro vírus, uma criatura acelular, feita de um material genético flutuante. Nessa desvalorização de ativos, celebridades, e subcelebridades, esforçam-se para expor e monetizar o que ainda restou do glamour no pós-pandemia. A beleza corporal seria a prova dos nove? Um certificado de saúde inabalável? A carteirinha de vacinação? E o que dizer de jovens olímpicos, e esportistas que tombaram na batalha contra a Covid-19? Corpo: não existe existência sem ele. Desvaloriza-se a existência corporal monetizada no pós-pandemia? Seria uma pós existência viral? Grande roleta do jogo da civilização para a segunda década do milênio!
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terça-feira, 31 de maio de 2022
sábado, 28 de maio de 2022
An Irish heart
Everybody is the same:
a bit of rock and roll
an Irish heart
to make your own gifts to grow
then get entrenched in the mystery
that connect us all
To harvest something for you and others
share part of it and pray to those without it
A common blanket of hope
covers us like a fine fabric
made of love
Computer Brains
Computer brains
They are not in sync (yet)
No network available (til now)
If imagination as one may say
it is more important than thinking
brains got more information than inspiration
Daydreaming in a labyrinthic of digital traps
Computer brains follow sad algorithms
unplugged from better lives
At least, a bit of energy each day
to recharge batteries
of kindness
quarta-feira, 25 de maio de 2022
Tudo é mar
Tudo é mar
no universo português
A próxima onda
a inesperada tempestade
a nova costa
marcam o tempo
As favas com os relógios
urbanismos e cartórios
Ao mar, patrícios!
Sussurra aos ouvidos
o coração renascentista de Camões
O novo mundo é uma atitude
não um continente
quinta-feira, 28 de abril de 2022
Elon doesn't match Musk
sábado, 16 de abril de 2022
As Águas (para Luís de Camões)
Canto I
Descer as escadas do poço ancestral
do medo ao encontro do universal
Um pouco d'água para aguentar na luta
Celebrar a união nossa
animará os passos ao futuro
daquilo que podia ser compartilhado ainda a disputa
germinada pelo tanatus da crise plantada
onde o sol nublado é mormaço e mais nada
Canto II
Que a inimizade não afaste a azul verdade
O poço é nosso ainda que a jornada solitária seja
Que o castelo soçobre mas que o poço jorre
A água da minha força é também vossa
Separadas as águas abrasasse o sol
mas da reunião nossa e amiga novas nuvens serão formadas
O que se pede é pouco para que cada um ao seu destino chegue
delta onde nossas conquistas encontram as derrotas
Canto III
Que o primeiro passo da jornada seja um gole azul da água
Nela a nossa união eterna e consagrada
Mesmo distante pelos sete mares
entorpecido pelo vinho da ambição
busquei no fundo do meu poço a água que é vossa
Ir ao fundo das coisas necessário seja
para entender os kairus e os cosmos
pois se separados estamos seja a água a grande aliança
Canto IV
Eterno e profundo é o poço e sua verdade
Da pouca água do meu corpo possa ser encontrada a vossa
Não nuble a consciência o sol do desejo intenso
da separação de amigos e convivas
não impeça meu barco de recolher naufragas alegrias
Que a luta ainda quase finda e falta pouco para desaguar na vitória
Em nossas águas recordemos o oceano ancestral dos encontros
Não nos permita o medo de evitar tempestades
Canto V
Se bom navegador sou
levarei a caravela nossa a mares desconhecidos
Celebraremos nossa união e força
em taças da mais puro água
para animar a luta e suas reviravoltas
De cada conflito surje uma nova nascente
que cura e limpa as feridas
de ambições solitárias e desmedidas
Canto VI
Que essa ilha de desejos e seus rochedos não nos ponha receio:
enfrentar desafios é da nossa história e gênese
Celebrada em mares calmos de alvas praias
ainda que a cada um seja dado a própria água
o sol abrasador da cobiça seca os versos
O futuro convida a descer por rios novos e vertentes
para além das inevitáveis separações
que as corredeiras sacudam as falsas verdades
Canto VII
Que eu não tenha receio como Camões de ir á África e a Ásia
na busca daquela verdade última para finalizar a jornada
Que a ansiedade da vitória não impeça a esperança nova
Ao chegar já recebo novo convite pois a água não para
Que a separação de hoje seja riacho do amanhã
Celebremos nossas águas no caudaloso rio da história
A utopia minha é vossa e vossa água é nossa
Somos marés de mudança, somos ondas
quinta-feira, 24 de março de 2022
Windy Lisbon
Lisbon also means downpours and moisture
As one got trapped
between streets
then packed under the
balconies
of old buildings
scaping from wetness
he understands what
has fueled Portuguese folks
through history to fly over the deep blue sky
reflected in the Tagus River
asking for one more
caravel to jump into
the unknown sea of discoveries
Dos Prazeres
O cemitério dos Prazeres em Lisboa
tem horários de visita fixos para todo o ano
Mas a morte não tem horário...
Morrem gregos e troianos
tal e qual romanos e gentios
Dos restos da memória
constroem-se mausoléus
cruzes de pedra ou madeira
Mármore gravados com nomes e datas
mas são gatos e gaivotas
os verdadeiros donos do lugar
A morte é negócio
A vida é um troço que se pisa
tal e qual ponta de cigarro
ou é fogo que ilumina a cidade
Ainda é Lisboa
Do alto do Castelo de São Jorge
uma voz ancestral grita:
"Ainda é Lisboa!"
Meu coração agitado
quase que se arrepende
de ter pedido a Lisboa 10 anos atrás
que aceitasse o novo ciclo da história
"Ainda é Lisboa" a voz repete...
Sim, a cidade é mui preparada
para acolher a todos
Concordo com Camões:
a mundialização ibérica do bem viver
é costurada por acordos, sabores e temperos
de Paquistaneses, Brasileiros, Timorenses
Peruanos, Moçambicanos, Ucranianos
Nepaleses, Angolanos, Indianos
Bugigangas chinesas por todos os lados
carros por todos os cantos
O rio Tejo segue seu destino de mar
Lisboa deve seguir o dela
O poeta estava certo? Alguém responde:
"Vai ser mundo de novo Lisboa!"
A Jangada Brasileira
Viajar latitudes ao norte
longitudes ao leste
causa uma distorção poética no olhar
Visitar o velho mundo neste momento
em que Kairus apresenta suas crises...
Diante da pandemia, guerra e recessão
reativa-se o destino da jangada brasileira
que navega esse planeta sem rumo
com suas sementes de renovação
Enquanto festejamos
nosso diminuto lugar no globo
distraídos intuímos
o imenso território do futuro
O mundo despenca no abismo da mudança
e durante a queda ouve-se ao longe
o nostálgico som de uma bossa-nova
Potiguar
A faixa de dunas e mar de norte a sul definem quase nada na cidade autônoma de Natal Tudo contém areia dissolvida no café ou na gasolina Ex...
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