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terça-feira, 31 de março de 2026

A Janela e o Espelho

Voltar ao bairro da infância

voltar ao campo de areia

onde os craques da bola

encantavam o meu olhar 

Abandonada a areia dá lugar


a uma miríade de seres

que polulam das profundezas 

Meu olhar pinta

um gramado, um cerrado

È tão inóspito o futuro


dele vislumbramos o mais próximo

No espelho, está aprisionado

entre passado e o presente

Nada se parece tanto ao agora

que não possa ser ontem


Pinta-se um futuro de memórias

Da janela observo o campo

da infância em transformação

Um pouco de mim nasceu nesse areial

observando nos outros


o az da bola que queria ser

Nem uma coisa nem outra

Sou aquele que vê através

das janelas do entendimento

Sou o que não cabe no espelho


domingo, 15 de março de 2026

Diante da Poesia

Depois de muitas idas

áquela livraria

me deparo com a rica

estante de poesia

Não uma

haviam três 

desfilando poetas

em todas as línguas


Havia um Brecht bilingue

ao lado de um Apolinaire

fluente em francês e português

A turma do Brasil toda presente

antigos e novos

liderada por Vinícius

Aqui e ali um Neruda


Uma dívina comédia

ao lado da Odisséia

A lista interminável

deprimiu a veia da poesia

que trago azul escondida

como um traço congênita

que me atravessa


Pobre da minha poesia

diante de gigantes

que eu não tive coragem de ler

João Cabral de Melo Neto

Pedro Nava

Clara Alvim

Gente que fez mais pelo Brasil


em versos do que gerações 

de políticos sem poesia nos olhos



A Casa e a Rua

Muitos anos depois encontrei

nas conversas com antropólogos

alguem que me entendia:

a casa era a rua

a rua era minha amiga

(Roberto da Matta 

sabia das coisas)

Até a roupa da rua

era o meu melhor pijama

Mamãe vaticinava: 

"é um ruéiro"

Já conformada com o tempo: 

"é um cigano"

Eis que o tempo passa

como um trem bala

Atrás da porta do banheiro

a roupa que mais gosto

é a da casa

A roupa da rua é necessária

A da casa meu eu verdadeiro

Será que foi a pandemia?

Que transição paradigmática:

a casa é a rua

a casa é corpo

O inferno não são os outros

O inferno é a rua?

O fenômeno é complexo

Trago da rua a essência

que é tão dos outros 

quanto minha

Leve de casa o ego

que é tão do mundo

que me desconheço

Habito um linha de fuga

que vai dar na minha casa



Minha história e a Arte

Lembro bem do nome dele Aliás, seu segundo nome Martins: meu professor de história Talvez, ele tenha notado a transfiguração em meus olhos c...