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domingo, 21 de junho de 2026

O Menino de Balsas

O menino corria atras de pássaro

Depois correu atrás de avião

Sonhou com a grande cidade

À beira-mar

Fundada por franceses

De Graça Aranha e Aluísio Azevedo

Sonhou com o diploma

No primário, foi aluno de Joca Rego


Depois correu ao trabalho, ao carro

À vida de adulto responsável

Sonhou com uma família

Um país melhor sonhou

Para os filhos

Sonhou em construí-lo

Colocou cimento na nova estrutura

Ainda no rascunho da construção


Sonhou um país de futuro

Diferente do general Charles de Gaulle

Acreditou que era possível

Para desacreditar tantas vezes

E tornar a acreditar vivendo

A alegria dos filhos

Para cada um criou um avião

De imagens oníricas


Que como nuvens, voaram pelo ar

Ele mesmo se descobriu hoje

Parte do sonho do filho

Que chora em um junho já distante 

E tão perto do corpo

Onde pulsa a grata vida

Que fez por amor

Agora é sonho vivido


O amigo invisível

A mão de dedos longos

Que pousa no peito

E acalma quando acelera

o pulso, o ritmo do mundo

É de gratidão a cor 

O som destas lágrimas

É de amor


A música deste rio

Que corre em mim

Brota das nascentes 

do rio Balsas

Onde jazem os restos de meu pai:

Sonho de peixe

Sonho de planta

Sonho das águas




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